A Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro realizou uma nova rodada de exonerações nesta segunda-feira (18/05), poucos dias após ser mencionada em investigações da Polícia Federal relacionadas a supostas irregularidades envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos, atualmente conhecida como Refit. Ao todo, o governador em exercício assinou 31 dispensas que atingiram diferentes órgãos do governo estadual.
A maior parte das mudanças ocorreu na própria Secretaria de Fazenda, onde pelo menos 16 servidores ligados à pasta foram desligados. Entre os nomeados estão profissionais de cargos de liderança, como membros de superintendências e auditorias fiscais especializadas. Essas demissões estão relacionadas à Operação Sem Refino, conduzida pela Polícia Federal, que investiga possíveis esquemas de fraude fiscal, evasão de divisas e ocultação de patrimônio associados ao grupo Refit. A operação também investigou o ex-governador Cláudio Castro, do partido PL, que participou de buscas e apreensões.
O ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual também figura entre os investigados na operação. Além dele, alguns servidores remanescentes da gestão anterior também foram exonados, conforme registros oficiais, indicando uma tentativa de reorganização interna diante do escândalo. De acordo com relatos na imprensa, integrantes da equipe financeira da pasta podem ter atuado em decisões relacionadas aos interesses da refinaria.
As ações de exoneração não se limitaram à Fazenda. Outros setores estratégicos do Executivo também tiveram mudanças, incluindo cargos no Detran-RJ, Saúde, Instituto Estadual do Ambiente, Procon-RJ, Polícia Civil, Planejamento e Gestão, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Infraestrutura, Obras Públicas e Rioprevidência. No total, foram dispensados 31 funcionários distribuídos por essas pastas.
Além das exonerações, a administração estadual anunciou medidas para reforçar o controle interno. A Coordenadoria Tributária de Controle Externo bloqueou o acesso de investigados aos sistemas de dados da Sefaz, visando assegurar o sigilo fiscal. Foram também estabelecidos processos administrativos disciplinares, uma operação de correição na Auditoria Especializada de Combustíveis e auditorias específicas para apurar incentivos fiscais concedidos à Refit e outras organizações sob investigação.
A mudança na equipe acontece sob a direção do secretário Guilherme Mercês, que retornou à pasta em abril, na atual gestão. Ele já havia ocupado a posição durante o governo Wilson Witzel, mas deixou o cargo por discordâncias internas relacionadas a um acordo envolvendo a mesma refinaria. Os próximos passos previstos incluem a continuidade das investigações e avaliações internas para garantir a regularidade dos processos administrativos relevantes.
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