O Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, mantém em cartaz a segunda edição do evento cultural Guanabara Pyranga — Encontro de Culturas da Guanabara, promovendo atividades gratuitas que articulam arte, cinema e memória vinculadas a territórios tradicionais. A programação inclui a exposição “Guanabara Pyranga: Marés” e uma mostra de filmes de artistas indígenas e afrodiaspóricos, ambas acessíveis até o início de maio.
A exposição apresenta obras de artistas como Emilia Estrada, Glicéria Tupinambá, Rona Neves, Tayná Uràz e Ziel Karapotó. Os trabalhos abordam temas ligados à memória, espaço e ancestralidade, tendo as águas como elemento principal de conexão entre passado, presente e a relação das comunidades tradicionais com seus territórios. A curadoria, assinada por Renata Tupinambá, Nana Orlandi e Lucas Canavarro, destaca elementos como o movimento das águas, fases da lua, criaturas marinhas e as relações intergeracionais, enfatizando o papel da arte na preservação de memórias e na afirmação de territórios históricos na Baía de Guanabara.
Paralelamente, a mostra audiovisual apresenta obras feitas por realizadores indígenas e afrodiaspóricos, estendendo-se até 30 de abril. Entre os títulos exibidos estão produções como “Faísca” de Bárbara M Kariri, “Ouro negro é a gente” de Aline Baiana, e “Mundukuruyü”, de Aldira Akay, Beka Mundukuru e Rilcélia Akay, além de filmes como “Mulheres Peixe”, “As Marisqueiras de Boa Viagem” e “Praia Formosa”.
A programação de abertura contou com atividades na ilha do Governador, incluindo a Caminhada Paranapuã e ações do Conselho Kaysara, além de encontros, debates, performances e shows no Centro de Artes UFF, realizados nos dias 11, 18 e 19 de abril. O evento busca promover um espaço de diálogo sobre práticas de resistência cultural e cuidado ambiental no contexto das águas das regiões ligadas às comunidades tradicionais, contribuindo para fortalecimento da cena cultural local e para o reconhecimento das culturas indígenas e afrodescendentes.
O Guanabara Pyranga é realizado por organizações como a Originárias Produções e o Mi Mawai e conta com apoio do governo federal, estadual e de órgãos culturais, tendo como objetivo ampliar o entendimento sobre memória, autonomia e preservação ambiental em territórios impactados pelas águas da Baía de Guanabara. A programação, gratuita, permanece disponível na sede do Centro de Artes da UFF, situado na Rua Miguel de Frias, nº 9, em Niterói.
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