março 25, 2026
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25/03/2026

Exposição no Centro de Artes UFF revisita ataque à democracia de 8 de janeiro de 2023

O Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, inaugurará uma exposição que aborda um dos momentos mais relevantes da história recente do Brasil. Intitulada “Subterrâneos a céu aberto”, a mostra apresenta um acervo inédito de imagens relacionadas ao ataque às instituições democráticas ocorrido em 8 de janeiro de 2023, convidando o público a refletir sobre memória, processos institucionais e os desafios de preservação democrática.

A abertura ocorre em 31 de março, data que marca o aniversário de 62 anos do golpe militar de 1964, enquanto o país também celebra o aniversário de 41 anos do fim do regime militar neste mês. A proposta da exposição é promover uma imersão na memória coletiva do Brasil, utilizando registros de mídias digitais produzidos por pessoas envolvidas nos atos de violência institucional no período.

A mostra tem como foco principal o episódio de invasão aos prédios dos Três Poderes em Brasília, momento em que a vulnerabilidade da ordem democrática foi exposta. O material exibido foi reunido a partir de uma pesquisa dedicada ao arquivamento de vídeos e fotos publicados nas redes sociais de novembro de 2022 a fevereiro de 2023. Esses registros, originalmente utilizados pelos participantes dos eventos, passaram a ser objeto de preservação após muitos terem sido apagados, em uma tentativa de esconder suas ações ou evitar consequências jurídicas. Pela primeira vez, esse acervo será acessível ao público, reforçando o compromisso da universidade com a documentação e análise de acontecimentos atuais.

Segundo o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, a iniciativa demonstra o papel da instituição como guardiã da democracia e do pensamento crítico. A exposição busca levantar debates sobre o apagamento digital, a fragilidade da memória em plataformas virtuais e o valor de integrar dados, arte e tecnologia na construção de uma compreensão mais ampla dos fatos, contribuindo para a reflexão sobre justiça de transição e cidadania.

A mostra também propicia uma análise histórica sobre as forças antidemocráticas que, embora muitas vezes atuem de modo subterrâneo, emergiram de forma ostensiva nos acontecimentos de janeiro de 2023. Elementos de discursos autoritários, práticas de violência política e a circulação de ideias antidemocráticas, que por longos anos permanecem em camadas ocultas da sociedade brasileira, ficaram evidentes ao ocupar espaços públicos, instituições e redes digitais.

A exposição é coordenada pelo professor de Comunicação da PUC-Rio, Marcelo Alves, que explica tratar-se de um projeto de pesquisa iniciado em 2022, destinado à preservação de um acervo com mais de um milhão de publicações relacionadas aos atos. Essa documentação visa facilitar futuros estudos acadêmicos e promover uma reflexão estética sobre os diferentes modos de percepção relacionados às suas manifestações.

Estruturada em quatro ambientes—labirinto, mosaico, acampamentos e caverna—a exposição permite ao visitante explorar o espaço de forma livre, promovendo uma leitura dinâmica e pessoal. Obras de artistas convidados complementam a experiência, trazendo elementos simbólicos da bandeira nacional. Essas peças refletem, de maneira poética, os conflitos sociais e a instrumentalização do símbolo pelos grupos de extrema direita, enquanto também ressaltam as desigualdades persistentes no país.

A curadoria foi conduzida pelo grupo de pesquisa Condado Lab, em parceria com o INCT/DSI e o Instituto Democracia em Xeque, e reforça o papel da Universidade na produção, preservação e discussão do patrimônio recente. A mostra estará aberta ao público de 31 de março a 10 de maio de 2026, de segunda a sexta-feira, das 10h às 21h, e aos fins de semana, das 13h às 21h, na Galeria de Arte UFF Leuna Guimarães dos Santos, localizada na Rua Miguel de Frias, 9, no bairro Icaraí, em Niterói.


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