O bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, retomou suas atividades presenciais após o período de afastamento causado pela pandemia, com a 124ª edição do Festival Desapegue-se. O evento, tradicional na região há 18 anos, foi realizado na Praça Edmundo Rego e promove discussões sobre sustentabilidade, justiça climática e economia circular, reforçando seu papel como um dos principais movimentos comunitários do município.
Desde sua criação, em 2008, o festival já impactou mais de 360 mil participantes e se consolidou por integrar cultura, educação e mobilização local. A edição atual representa uma valorização das raízes e uma oportunidade de reafirmar o compromisso do bairro com a transformação social e ambiental. O retorno às ruas simboliza, além da retomada, a continuidade de um ciclo iniciado há anos, que permanece vivo na memória coletiva e nas ações do território.
O conceito adotado para a revitalização do evento baseia-se no símbolo africano Sankofa, que ensina a importância de olhar para o passado para orientar o futuro. Segundo a idealizadora, o festival não representa apenas uma programação cultural, mas uma estratégia de fortalecimento do vínculo comunitário e de estímulo à regeneração local. Ela destaca que, durante o período de pausa, a comunidade manteve ações de convivência e cultivo, que agora ganham nova força na retomada presencial.
A preparação para esta edição foi marcada por atividades prévias, como o “Bairro Vivo”, uma iniciativa que envolveu moradores na cocriarão do evento, possibilitando uma escuta ativa das demandas atuais. Para a organizadora, essa participação direta reforça a essência do festival, que busca atuar “com e para” a comunidade, promovendo diálogo e implicação coletiva a partir de processos colaborativos.
Antes do fim de semana principal, as escolas públicas do Grajaú receberam atividades voltadas à educação ambiental, com oficinas de reflexão sobre a crise climática e a importância da economia circular, especialmente focada na formação de consciência nas novas gerações. Após essas ações, o evento continua na Praça Edmundo Rego, com atividades de apoio ao fortalecimento do vínculo com o território, como mutirões na horta comunitária e caminhadas ecológicas.
No final de semana, a programação inclui uma feira de trocas com uso de moeda social e uma estação de reparos, promovendo práticas de consumo consciente e de economia circular. Além disso, atividades culturais envolvem experiências de ecologia profunda, leitura coletiva de histórias locais e um baile de celebração. Essas ações refletem a preocupação do festival com inclusão, acessibilidade e sustentabilidade operacional, com o compromisso de seguir normas internacionais de gestão sustentável e de realizar ações que neutralizem emissões de carbono e evitem o uso de plásticos descartáveis.
A preocupação com a justiça social também permeia toda a programação, com ações voltadas à acessibilidade e à inclusão de diferentes públicos. O evento conta com intérprete de Libras, recursos de audiodescrição e estrutura adaptada para garantir a participação de todos. Para a organização, a transição ecológica deve estar aliada à justiça social, o que reforça o caráter social do movimento e seu potencial de promover mudanças duradouras na relação com o território e suas comunidades.
A edição enfatiza ainda o papel da justiça climática frente às adversidades ambientais, como o aumento de temperaturas extremas na cidade. Assim, a iniciativa está alinhada às metas globais de sustentabilidade e busca deixar um legado que vá além do evento, incentivando a replicabilidade de seu modelo em outros contextos. Seus criadores acreditam na importância de fortalecer uma cultura de pertencimento e cooperação, com ações que possam gerar impactos permanentes nas comunidades onde for implementado.
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