Em julho de 2026, o Brasil acompanhou o lançamento de “A Odisseia”, filme filmado inteiramente com câmeras IMAX, uma tecnologia que proporciona uma experiência de imersão máxima em cinemas especializados. No entanto, questões de acessibilidade impactam a experiência do público, especialmente na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde a oferta de salas equipadas para essa tecnologia é limitada e os preços dos ingressos variam significativamente.
Atualmente, o Estado conta com uma única sala de cinema com tecnologia IMAX, localizada na Barra da Tijuca. Durante a semana de estreia, os ingressos para sessões em IMAX no UCI Cinemas, na região, estavam com preços semelhantes ou até mais acessíveis do que no Cinermark de Niterói, que fica no Plaza Shopping e não dispõe dessa tecnologia. Por sua vez, o Cinermark de Niterói oferece opções com tecnologia XD, uma variação que melhora o som e aumenta o tamanho da tela, mas não atinge a definição de uma sala IMAX, pois mantém a resolução padrão.
Essa diferença de tecnologia e preço provoca um dilema para os moradores da região. Quem deseja a experiência superior do IMAX precisa se deslocar até a Barra da Tijuca, enquanto quem permanece na cidade de Niterói paga mais por sessões com tecnologia inferior. Em finais de semana de estreia, por exemplo, o valor do ingresso para uma sessão XD na Cinemark de Niterói chegou a R$ 60, enquanto na sala IMAX da Barra, o mesmo filme tinha preço de R$ 52. Nos dias úteis, essa discrepância permanece, com ingressos econômicos em Niterói custando aproximadamente R$ 47, contra R$ 40 na IMAX da Barra.
Sessões com cadeiras D-Box, que oferecem movimento sincronizado com a filme, também apresentam custos elevados, atingindo R$ 90,00 em Niterói, sendo necessário desembolsar R$ 30 adicionais ao valor do ingresso padrão. Caso adquiridos pela internet, esses ingressos podem atingir preços quase duas vezes superiores aos de uma sessão convencional de IMAX.
A comparação de preços entre diferentes unidades da Rede Cinemark também evidencia variações. Assinando sessões similares na cidade, os valores variam de R$ 50,00 a R$ 60,00 conforme o bairro e o padrão de unidade. Entre cidades vizinhas, como São Gonçalo, o valor pode ser menor do que em Niterói para sessões equivalentes na mesma rede. A Cinemark, questionada sobre seus critérios de precificação e uso de tecnologia, ainda não divulgou posicionamento oficial.
“A Odisseia”, dirigida por Christopher Nolan, é destaque por ser o primeiro longa totalmente gravado com câmeras IMAX, que utilizam películas de 65 a 70 mm, produzindo imagens com resolução equivalente a 18 mil pixels e exibindo mais conteúdo na tela do que os formatos convencionais. Essa abordagem demanda equipamentos pesados e complexos, incluindo cenas essenciais filmadas nessa tecnologia, reforçando a busca de Nolan por maior imersão.
Dados recentes da Agência Nacional do Cinema apontam que, enquanto a cidade do Rio de Janeiro é a principal porta de entrada ao cinema no estado, com cerca de 6 milhões de espectadores e mais de 300 títulos exibidos, Niterói possui uma presença significativamente menor, com aproximadamente 677 mil espectadores e 216 títulos ao longo do último ano. A preferência dos moradores pela ausência de salas próximas diminuiu ao longo dos anos, evidenciando uma queda no público local, que registrou uma redução de quase metade do número de frequentadores desde 2024.
A fiscalização municipal sobre os preços e a oferta de salas de cinema está na pauta, com o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da cidade solicitando ações do Procon, embora ainda não haja manifestação oficial sobre o tema.
Especialistas em cinema destacam que o alto custo dos ingressos, aliado à concentração de salas em locais de acesso mais difícil, impacta a acessibilidade cultural. A descentralização da infraestrutura de salas de exibição, por meio de projetos públicos e parcerias, é apontada como uma alternativa para ampliar o acesso, especialmente em regiões periféricas, e contribuir para a redução de preços.
A Prefeitura de Niterói trabalha na recuperação do tradicional Cinema Icaraí, que deve reabrir até o final do ano. O espaço, que abrigará o Cine Concerto Sérgio Mendes, será multifuncional, com salas de cinema, teatros, restaurante e vista para a Praia de Icaraí, num investimento de R$ 45,7 milhões. Além disso, o local contará com uma estrutura que permite a instalação de uma tela retrátil para projeções em alta definição, potencialmente oferecendo uma nova opção para o público local e contribuindo para diversificar a oferta cultural na cidade.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



