Na última terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão do empresário na oper ação conhecida como Compliance Zero, ocorrida em novembro de 2025. A reunião teve como foco o encerramento do envolvimento de Vorcaro na produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorre dias após a divulgação de áudios pelo portal The Intercept Brasil, nos quais Flávio solicita recursos ao banqueiro para financiar a cinebiografia do pai. Segundo as reportagens, Vorcaro teria prometido investir aproximadamente R$ 134 milhões no projeto, dos quais ao menos R$ 61 milhões já haviam sido transferidos. Antes da divulgação dessas gravações, o senador negava manter contato com o empresário, mas passou a confirmar o relacionamento após o caso ganhar repercussão pública, afirmando que o vínculo teve início em 2024, antes de as investigações sobre o banco envolvido avançarem.
Flávio declarou que procurou Vorcaro com o objetivo de pôr fim às negociações. Ele afirmou ainda que, caso tivesse sido informado antes das suspeitas envolvendo o Banco Master, teria buscado outros investidores. A aproximação entre o senador e o banqueiro, segundo o deputado federal Mário Frias, foi intermediada por Thiago Miranda, proprietário da agência de publicidade MiThi. Miranda é apontado como suspeito de montar campanhas digitais de apoio ao Banco Master e de oposição ao Banco Central.
O publicitário também afirmou à imprensa que atuou na intermediação dos recursos destinados ao filme, versão confirmada por Flávio, que também revelou que Vorcaro frequentava eventos políticos e empresariais em Brasília, frequentemente patrocinados por grandes veículos de comunicação. Na ocasião, o senador afirmou que considerava o banqueiro “fora de suspeita” quando da assinatura do contrato, embora tenha declarado que os pagamentos passaram a atrasar a partir de maio de 2025.
De acordo com Flávio, Vorcaro apresentou-se como investidor conhecido por participar de outros filmes de sucesso, tendo sido apresentado ao senador por meio de uma pessoa com forte circulação nos ambientes empresariais e políticos da capital federal. O parlamentar explicou que, enquanto membros da equipe do projeto tentavam obter respostas referentes aos repasses, ele também buscava esclarecimentos sobre o financiamento do longa-metragem. Flávio ainda destacou a existência de um áudio, divulgado pelo portal, no qual solicita uma decisão definitiva do banqueiro acerca do andamento do projeto, diante do risco de suspensão das filmagens.
Posteriormente, Vorcaro foi preso preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Passou dez dias detido antes de ser libertado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas voltou a ser preso em março, em nova fase da operação. O senador relatou que, após a prisão e a imposição do uso de tornozeleira eletrônica, percebeu que a situação do banqueiro era de maior gravidade do que imaginava e reforçou que suas relações com Vorcaro sempre estiveram relacionadas exclusivamente ao filme.
Por fim, Flávio informou que solicitou à produtora do filme uma prestação de contas detalhada sobre os custos e também pediu que eventual remuneração futura decorrente do projeto seja disponibilizada à Justiça.
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