março 22, 2026
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22/03/2026

Floresta da Pedra Branca revela 54 espécies de mamíferos, incluindo ameaçados e inéditos

A Floresta da Pedra Branca, considerada a maior área de floresta urbana do mundo, revelou a presença de 54 espécies de mamíferos, incluindo alguns animais ameaçados de extinção. A pesquisa, realizada por especialistas da Fiocruz e publicada na revista Zoologia, evidencia o valor da região como um importante refúgio de biodiversidade em meio ao ambiente urbano brasileiro.

O estudo organiza um inventário pioneiro de mamíferos de médio e grande porte na área, identificando 23 espécies terrestres. Além disso, registre-se a existência de 31 espécies de morcegos previamente catalogadas, totalizando as 54 espécies. O levantamento integra o projeto Biota Pedra Branca, focado em estudos de fauna, flora e microrganismos, incluindo agentes que podem afetar a saúde humana e animal.

Entre as espécies de destaque estão o mico-leão-dourado, ameaçado de extinção e que, pela primeira vez desde 1842, é registrado na cidade do Rio, e o gato-do-mato, classificado como vulnerável. O estudo também descobriu espécies até então inéditas na região, como o tatu-peba e o tatu-do-rabo-mole, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local.

Para realizar o levantamento, cientistas utilizaram 30 armadilhas fotográficas espalhadas por sete bairros ao redor da floresta. Essas câmeras, equipadas com sensores de movimento e calor, capturam imagens de espécies noturnas sem manipulação direta, permitindo uma observação mais precisa da fauna.

De acordo com a pesquisadora Beatriz M. S. Jorge, principal autora do estudo, além das armadilhas, foram realizadas entrevistas com moradores e profissionais de unidades de conservação para complementar os dados, tornando o inventário mais completo.

O pesquisador Ricardo Moratelli ressaltou que a diversidade de mamíferos na região é significativa, apesar das pressões ambientais enfrentadas. Ainda assim, a pesquisa aponta ameaças como caça ilegal, desmatamento decorrente do crescimento urbano desordenado e incêndios florestais, que colocam em risco a fauna local.

Outro problema apontado é a presença de animais domésticos, como cães e gatos, que podem predar espécies silvestres ou transmitir doenças como raiva, toxoplasmose e parasitoses. Recentemente, esses animais vêm alterando o comportamento natural da fauna, provocando fugas, abandono de ninhos e competição por recursos.

Integrada ao bioma Mata Atlântica, uma das mais ricas e ameaçadas do planeta, a Floresta da Pedra Branca representa um importante centro de biodiversidade. Considerando que a Mata Atlântica ocupa cerca de 15% do território brasileiro, sua conservação é uma prioridade para garantir a preservação de espécies e serviços ecossistêmicos.

Os especialistas destacam a necessidade de políticas públicas coordenadas para proteger essa área, equilibrando o desenvolvimento urbano com a conservação ambiental, de modo a resguardar a biodiversidade e os benefícios que ela oferece.


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