março 13, 2026
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13/03/2026

Fundo de previdência de Campos dos Goytacazes tem rombo de R$ 5 bilhões devido a investimentos problemáticos

O fundo de previdência dos servidores de Campos dos Goytacazes enfrenta uma situação crítica, com um déficit atuarial estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões. Desde 2013, o PreviCampos investiu cerca de R$ 500 milhões em fundos considerados problemáticos, incluindo aqueles com suspeitas de fraude, problemas de auditoria ou baixa liquidez. A atual condição financeira do fundo, que possui um patrimônio de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, é agravada por esses investimentos, que representam cerca de 37% de seus ativos, chegando a 82% em determinados momentos.

As aplicações foram realizadas durante a gestão da então prefeita Rosinha Garotinho, que afirma não ter participado das decisões de investimento. Segundo ela, as operações foram conduzidas por representantes do conselho e do próprio fundo na época. Os recursos investidos originaram-se de um portfólio que agora é alvo de questionamentos por seu impacto na saúde financeira do fundo, que corre risco de colapso até 2029 se medidas corretivas não forem adotadas.

Algumas dessas aplicações resultaram em projetos fracassados ou sob investigação, como o empreendimento Golden Tulip de Belo Horizonte, ligado a Henrique Vorcaro, e o antigo Trump Hotel Rio, que teve seu funcionamento interrompido após envolver-se em processos por operações fraudulentas no mercado financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários aplicou multas superiores a R$ 100 milhões a envolvidos, incluindo o responsável pelo fundo na época, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho.

A exposição do PreviCampos a esses fundos representa uma parcela significativa de seus recursos, contribuindo para dificuldades na garantia de benefícios futuros. O relatório atuarial divulgado recentemente destacada essa vulnerabilidade, reforçando o risco de insolvência futura. Problemas similares já haviam sido apontados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro em 2021, que identificou prejuízos superiores a R$ 300 milhões relacionados a aplicações financeiras irregulares, feitas com projeções consideradas fictícias e insustentáveis.

Atualmente, o impacto dessa crise ultrapassa o âmbito técnico e técnico-financeiro, colocando em risco a previdência de cerca de 19,5 mil servidores públicos. Com o cenário de possível colapso no horizonte, as consequências podem afetar significativamente os beneficiários e a estrutura política local, especialmente considerando o envolvimento do atual prefeito, Wladimir Garotinho, filho de Rosinha, na gestão municipal. A crise do fundo de previdência permanece em evidência, refletindo os efeitos de decisões passadas sobre a sustentabilidade do sistema.


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