O governo brasileiro cancelou o visto de Darren Beattie, assessor do ex-presidente americano Donald Trump, que planejava ingressar no país na próxima semana. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores, que justificou o cancelamento por inconsistências identificadas na documentação apresentada em Washington.
De acordo com o Itamaraty, houve omissão e falsificação de informações pertinentes ao objetivo da viagem, o que, segundo a legislação brasileira, é motivo suficiente para a negativa ou revogação do visto. A medida ocorre após a análise do pedido feito pelo assessor.
Antes da confirmação oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou o assunto em evento no Rio de Janeiro. Ele informou que Beattie não será autorizado a entrar no Brasil enquanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não tiver seus vistos reativados para viagens aos Estados Unidos. Lula também destacou que, em 2025, os vistos da esposa e da filha do ministro foram cancelados pelo governo norte-americano, enquanto o documento de Padilha já expirava na época.
Lula afirmou que, na ocasião, um cidadão americano afirmou que iria visitar Jair Bolsonaro, mas foi proibido de ingressar no Brasil. O presidente ressaltou que a proibição relacionada ao assessor de Trump permanece enquanto os vistos de Padilha estiverem bloqueados, garantindo proteção ao seu ministro.
Na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, indeferiu pedido da defesa de Bolsonaro para autorizar uma reunião com Beattie enquanto o ex-presidente esteve no Brasil. Moraes argumentou que a visita não foi comunicada previamente ao governo brasileiro e que não fazia parte de uma agenda oficial.
O chanceler Mauro Vieira enviou ofício ao tribunal explicando que a eventual interação poderia passar a impressão de interferência nos assuntos internos do país. Ele afirmou ainda que o encontro de um representante estrangeiro com Bolsonaro, em um período eleitoral, poderia ser interpretado como tentativa de influência política.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado ao STF, na semana passada, autorização para receber Beattie, com previsão de encontro na segunda ou terça-feira seguintes, durante a missão oficial do assessor no Brasil. Os advogados também pediram permissão para a presença de um tradutor na eventual reunião.
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