A greve dos trabalhadores do transporte público no Rio de Janeiro foi temporariamente suspensa após uma assembleia na tarde desta quarta-feira, na qual participaram cerca de 1.500 funcionários do setor. A reunião, realizada na sede do Sindicato dos Rodoviários na Zona Norte, resultou na decisão de manter o estado de greve, porém adiar o retorno à paralisação até a próxima segunda-feira, enquanto as negociações continuam no Tribunal Regional do Trabalho. Caso não haja avanço nas tratativas, a categoria poderá retomar a greve na semana seguinte.
A pausa na manifestação ocorreu após uma audiência de conciliação no TRT-RJ, durante a qual uma fala de representante de uma empresa de ônibus gerou indignação entre os trabalhadores. Um vídeo que registra o momento circula nas redes sociais. O acordo, que inclui a proposta do Ministério Público e do tribunal, busca facilitar a retomada do diálogo sob a mediação da Justiça e foi aceito pela categoria como uma oportunidade de avançar nas negociações.
A assembleia foi marcada por forte hostilidade, com relatos de insatisfação geral dos rodoviários quanto às condições de trabalho e salários. Segundo o presidente do sindicato, a mobilização é grande e a revolta por melhorias salariais, junto a reivindicações por melhores recursos, permanece firme. Os trabalhadores reivindicam um aumento de 17%, além de piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para demais condutores. A proposta apresentada pelo Rio Ônibus, que representa as empresas, de reajuste de 4,39%, não foi aceita na votação de terça-feira.
O início desta semana foi permeado por episódios de conflito e vandalismo. Na terça-feira, manifestantes atacaram veículos do sindicato, atiraram ovos contra seus carros e impediram a circulação de ônibus, retirando passageiros de alguns veículos. De acordo com o Rio Ônibus, 15 coletivos foram vandalizados, e alguns trabalhadores que atuavam foram abordados de forma hostil.
Este cenário gerou transtornos para a população, que, nesta quarta, enfrentou dificuldades na mobilidade. Terminal de Deodoro e áreas próximas ao Shopping Taquara, na Zona Oeste, registraram longas filas logo nas primeiras horas do dia. Para garantir o funcionamento mínimo do sistema, o Tribunal Superior do Trabalho determinou que pelo menos 80% da frota seja mantida em circulação por linha, resultando, às 9h, em aproximadamente 1.700 ônibus nas ruas, o que corresponde a cerca de metade da frota total.
As forças policiais reforçaram o patrulhamento nas principais vias, estações de BRT, garagens de operadores e pontos de embarque. Além disso, as empresas de transporte público ampliaram os serviços: a Trens RJ ofereceu 30 viagens extras além da programação habitual, enquanto o MetrôRio aumentou a frota de composições disponíveis, caso haja aumento na demanda. A operação da Mobi-Rio, por sua vez, atingiu 92% do planejado na hora do pico, com 502 veículos em circulação entre 6h e 7h.
O cenário atual indica que a expectativa é de que as negociações prossigam na próxima semana, com a possibilidade de retomada da greve caso as reivindicações não sejam atendidas.
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