junho 30, 2026
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30/06/2026

Greve dos rodoviários no Rio continua após decisão da categoria e baixa circulação de ônibus

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus no Rio de Janeiro permanece em vigor, após decisão tomada em assembleia nesta terça-feira (30). A categoria optou por continuar a paralisação, mesmo após a realização de uma reunião marcada por desentendimentos internos. Uma audiência de conciliação com o sindicato patronal terminou sem acordo, e uma nova rodada de negociações foi marcada para a próxima segunda-feira (6), a pedido do Tribunal Regional do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho.

Durante a manhã, uma votação inicial aprovou um estado de greve, permitindo o retorno ao trabalho na quarta-feira (1º) sem punições ou descontos. No entanto, essa decisão gerou insatisfação entre parte dos trabalhadores, que defendiam a continuidade da paralisação. Em protesto, manifestantes cercaram o sindicato e atiraram ovos, obrigando uma segunda votação, na qual a maioria decidiu por manter a greve.

No início do dia, representantes da categoria participaram de uma audiência de conciliação com os operadores do sistema de transporte. O sindicato patronal manteve a proposta de reajuste salarial de 4,39% e afirmou não ter intenção de fazer novas ofertas, alegando dificuldades financeiras e perda de subsídios. Como alternativa, os rodoviários sugeriram um aumento dividido em duas etapas: 8% imediato e outros 8,3% em novembro. A proposta também foi rejeitada pelos empresários, que solicitaram uma trégua até a próxima audiência, sem apresentar contrapartidas ao sindicato.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão reajuste salarial de 17%, piso de R$ 5 mil para motoristas do BRT, R$ 4 mil para demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde, alteração na escala de trabalho para jornada de 7h30, manutenção do passe livre, indenização do intervalo de almoço e contratação de profissionais do BRT pelo regime CLT.

Apesar do segundo dia de paralisação, a quantidade de veículos em circulação ainda não atingiu o mínimo determinado pela Justiça. Segundo o Rio Ônibus, cerca de 1.400 ônibus deixaram as garagens nesta terça, um número maior do que os aproximadamente 900 veículos na segunda-feira, mas ainda distante dos 1.800 ônibus, ou 50% da frota total, que deveriam estar em operação.

No sistema BRT, a MOBI-Rio informou que 361 ônibus articulados operaram ao longo do dia, representando um aumento de 26% comparado ao primeiro dia de greve. Os sistemas de metrô, trens e barcas funcionaram normalmente. Mesmo assim, usuários relataram dificuldades de deslocamento, com longas esperas e veículos lotados em pontos e terminais, especialmente nas madrugadas, quando algumas linhas operaram com um único ônibus.

Embora não tenham ocorrido atos de vandalismo nesta terça-feira, ao contrário do que aconteceu na segunda-feira, quando cerca de 50 veículos foram depredados, a situação nas ruas permaneceu preocupante.

A Prefeitura do Rio reforçou que defenderia na Justiça a operação de ao menos 80% da frota durante a paralisação, um índice superior aos 50% estabelecidos judicialmente. O prefeito destacou que, mesmo com aproximadamente 70% dos ônibus do sistema BRT em atividade, a redução do funcionamento dos veículos convencionais prejudicou o deslocamento dos passageiros na cidade. Segundo ele, a responsabilidade pelas negociações salariais é do sindicato e dos empresários, cabendo ao município atuar para garantir o funcionamento mínimo do transporte público e minimizar os impactos na população.


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