julho 1, 2026
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01/07/2026

Greve dos rodoviários no Rio de Janeiro continua com circulação abaixo do mínimo judicial

A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro completa seu terceiro dia nesta quarta-feira (1º de junho), mesmo após decisão judicial que determina a circulação de 80% da frota de ônibus na capital. Apesar do rigor da determinação, o transporte público permanece com operação abaixo do requisitado, gerando atrasos, longas filas e dificuldades de deslocamento para a população. Uma nova audiência de conciliação foi agendada para tentar resolver o impasse.

O sistema municipal de transporte conta com aproximadamente 3.600 veículos, e a decisão judicial exige que pelo menos 2.880 estejam em circulação. No entanto, dados divulgados indicam que, às 7h, estava em operação cerca de 1.650 ônibus, pouco mais de 45% do total exigido. Ainda de manhã, esse número chegou a cerca de 1.500 veículos nas ruas.

No âmbito do sistema BRT, o funcionamento mostrou atenção mais próxima à normalidade. Entre 6h e 7h, 502 dos 541 veículos não articulados operavam, o que representa aproximadamente 92% da frota.

A determinação judicial que ampliou o percentual de circulação foi expedida na noite anterior, por uma decisão do presidente do Tribunal Superior do Trabalho, motivada por solicitação da Prefeitura do Rio. Antes, a limitação era de 50% da frota, considerada insuficiente diante do impacto da paralisação. A decisão considerou o transporte coletivo como serviço essencial, destacando o risco à mobilidade da população e à segurança pública. O descumprimento impõe multa diária de R$ 100 mil às empresas.

O sindicato dos rodoviários autorizou que se organizem manifestações, enquanto o setor empresarial afirmou que as companhias tentam cumprir a limitação judicial, mas enfrentam dificuldades na organização das escalas e no deslocamento dos motoristas às garagens. A entidade também solicitou aos trabalhadores que retornem às atividades para garantir o cumprimento do percentual mínimo e evitar prejuízos à população.

Por sua vez, o presidente do sindicato dos rodoviários declarou surpresa com a decisão do TST e responsabilizou a falta de avanços nas negociações pela continuidade do conflito. A categoria afirma estar disposta a seguir as determinações judiciais, mas reclama da ausência de propostas viáveis por parte das empresas.

Uma nova audiência de conciliação foi marcada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região para às 11h desta quarta-feira, no Centro do Rio. A rodada anterior terminou sem acordo, marcada por tensões entre as partes. Paralelamente, os trabalhadores convocaram assembleia para às 16h em Rocha Miranda, na Zona Norte, para discutir os próximos passos do movimento.

Entre as reivindicações da categoria estão reajuste salarial de 17%, piso de R$ 5 mil para motoristas do BRT, R$ 4 mil para demais condutores, além de vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e redução da jornada de trabalho para 7h30 diárias. As empresas oferecem reajuste de 4,39% e alegam ainda não ter apresentado nova proposta.

A paralisação teve início na madrugada de segunda-feira (29), após o anúncio na noite de domingo (28). Logo nas primeiras horas, menos de mil veículos deixaram as garagens, em desacordo com a determinação judicial de 50% de circulação. Durante os dias seguintes, as operações aumentaram, mas permanecem abaixo do mínimo exigido. Acertos tentados no TRT-1 não avançaram e as negociações continuam tensas, refletindo a crise no transporte público da cidade.


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