O transporte coletivo do Rio de Janeiro permanece paralisado pelo terceiro dia consecutivo, mesmo após a divulgação de um reajuste salarial de 4,39% para os trabalhadores, a ser aplicado no próximo pagamento referente ao mês de junho. A medida foi anunciada pelo sindicato que representa as empresas de ônibus, o Rio Ônibus, durante a greve em andamento, que continua sem acordo entre os empresários e os rodoviários. A solicitação original da categoria previa um aumento de 17%.
Segundo o Rio Ônibus, o objetivo da proposta é contribuir para a resolução do conflito e ajudar a encerrar a paralisação. No entanto, a categoria rejeitou a oferta e mantém o movimento de greve. A operação de transporte nesta quarta-feira também enfrentou dificuldades, pois a frota em circulação ficou abaixo do percentual mínimo de 80% determinado pela Justiça, uma decisão que havia sido ampliada na véspera por demanda do Tribunal Superior do Trabalho. A entidade responsável pelas empresas atribui o descumprimento à falta de envio das escalas de trabalho por parte do sindicato e a ações de vandalismo e agressões contra profissionais durante os protestos.
A solicitação de aumento de 17% foi apresentada pelos trabalhadores e inclui reajustes escalonados, com 8% a partir de julho e mais 8,3% em novembro. Além do reajuste salarial, a categoria reivindica piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT, R$ 4 mil para os demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e a implementação de uma escala 5×2, além do pagamento do intervalo para refeição como hora extra.
Na tentativa de avançar nas negociações, o Tribunal Regional do Trabalho realizou uma nova audiência de conciliação nesta quarta-feira, que não resultou em acordo. O sindicato convocou uma assembleia para definir os próximos passos da mobilização. A paralisação, iniciada na madrugada de segunda-feira, afeta atualmente cerca de 3.600 ônibus na cidade, mas de manhã apenas aproximadamente 1.650 veículos estavam em circulação, bem abaixo do mínimo estipulado judicialmente.
O governo municipal reforçou a expectativa de que a decisão judicial seja cumprida, reiterando que a circulação de metade da frota poderia comprometer a ordem pública, a segurança e o direito de mobilidade da população. A multa diária por descumprimento foi fixada em R$ 100 mil ao sindicato.
Desde o início da greve, os passageiros enfrentaram longas filas, atrasos e dificuldades de deslocamento. As ações de vandalismo contra veículos continuam a agravar a situação, com casos registrados em diversas garagens. Mesmo após a decisão do TST de ampliar a circulação, o percentual mínimo de veículos em operação ainda não foi atingido, o que mantém a situação de instabilidade na rede de transporte pública.
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