março 7, 2026
março 7, 2026
07/03/2026

Grupo Sendas questiona viabilidade técnica e legal da desapropriação em Botafogo

Na tentativa de revitalizar uma área do bairro de Botafogo, a Prefeitura do Rio de Janeiro realizou, ao final do ano passado, a desapropriação de um imóvel situado na Rua Barão de Itambi, por meio de leilão público. Contudo, a ação gera controvérsia, principalmente por parte do antigo proprietário, que contestou a decisão judicialmente e manifestou críticas ao projeto de instalação de um centro tecnológico no local.

O Grupo Sendas, que detém a propriedade há mais de meio século, afirma que as condições do terreno, com presença de lençol freático, impossibilitam a implantação de estruturas subterrâneas essenciais à concepção de um espaço destinado a geração de energia e infraestrutura para suportar supercomputadores, componentes previstos no projeto da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a empresa, a umidade no subsolo tornaria inviável a construção de instalações técnicas necessárias ao funcionamento do centro técnico.

Além do ponto de vista técnico, o grupo apontou a proximidade do imóvel com o mar como preocupação adicional. A presença de maresia, de acordo com a crítica, poderia prejudicar equipamentos sensíveis, como os utilizados em supercomputadores, devido ao risco de corrosão, comprometendo a integridade da infraestrutura prevista.

A desapropriação, realizada sob a justificativa de promover uma renovação urbana na região, foi imediatamente questionada na Justiça. Os críticos também manifestaram o impacto de fornecedores e usuários do imóvel na área, inclusive uma academia que se mantém em operação nos andares superiores ao prédio, o que, na visão de alguns, refuta a alegação de que o espaço estaria completamente desocupado.

A controvérsia também envolve o projeto arquitetônico aprovado pela própria Fundação, que planeja a construção de uma edificação de seis pavimentos com espaços voltados à pesquisa e inovação tecnológica. No subsolo estão previstas instalações de infraestrutura energética para suportar os supercomputadores. No térreo, a proposta inclui uma galeria de arte de inteligência artificial, além de café e biblioteca, voltados ao público.

Por sua vez, o município prosseguiu com o processo e anunciou um leilão do imóvel, marcado para o dia 31 de março, no auditório da sede da Prefeitura. O ato foi publicado após a contestação judicial de parte dos envolvidos, incluindo o próprio grupo proprietário, que questionou a legalidade da desapropriação, bem como ações populares que pedem a suspensão do processo. Apesar das discussões judiciais, o município mantém a perspectiva de avançar com a venda do imóvel.


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