agosto 26, 2026
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26/08/2026

História e tradição dos karaokês na Feira de São Cristóvão até os dias atuais

Na feira de São Cristóvão, o número de máquinas de karaokê atualmente varia entre 80 e 120 unidades, atendendo a um público diverso. Estima-se que aproximadamente 30% dos frequentadores do espaço dedicado às tradições nordestinas sejam cantores amadores, embora também haja profissionais. A presença de estilos variados e de diferentes gerações cria um ambiente de convivência harmoniosa, marcado pela diversão e troca de histórias através da música.

A história do karaokê na feira remonta a 2005, com a abertura do primeiro estabelecimento dedicado à atividade. No entanto, a tradição musical na região começou antes, com manifestações como cantorias, serestas e repente, que faziam parte do cotidiano local. Um antigo projeto, chamado Bazar da Cantoria — atualmente denominado Canto do Morango — gravava CDs dos artistas que se apresentavam, uma prática que evoluiu para gravações digitais em MP3, utilizadas para surpreender o público com registros de performances destacadas. O espaço sócio-cultural é reforçado pelo proprietário atual, que reconhece a importância histórica do local na feira.

Outro ponto de destaque é o envolvimento familiar na manutenção das tradições musicais. Maria Lúcia, filha de uma das pioneiras do Coquetel das Meninas, trabalha há um ano no estabelecimento, seguindo o legado da mãe, que atua há mais de 25 anos na feira. A trabalhadora relata que, devido à idade e ao cansaço da mãe, assumiu o papel de manter vivo o comércio, preservando as práticas tradicionais de venda de drinks.

Na cena musical da feira, a preferência pela música também se define por tendências atuais. A música “A Loba”, por exemplo, vem ultrapassando clássicos como “Evidências” na preferência dos cantores. Estabelecimentos, como o Mula Ruge, adotaram uma estética inspirada em cabaré francês com identidade nordestina, incluindo posicionamentos políticos e estratégias digitais para fidelizar clientes e ampliar sua presença na área. Os proprietários articulam um ambiente descontraído, onde até as atividades de trabalho se misturam com momentos de diversão.

Empreendedoras que entram na disputa pelo público criam seus próprios espaços. Luiza Santana, dona do Duettos Bar, decidiu investir nesse segmento após experimentar os karaokês na feira por lazer. Sua experiência em produção de eventos contribuiu para a montagem do espaço e a renovação do público, trazendo desde frequentadores tradicionais até jovens, além de ter impactado positivamente a autoestima de alguns que usam o canto como forma de superar dificuldades de comunicação.

O cotidiano das casas de karaokê também é marcado por histórias marcantes. Um exemplo é Antônio, conhecido por transitar por diversos locais da feira e cantar diversas músicas, carregando seu livro de cifras. Em ocasiões especiais, o clima de magia se revela, como na surpresa de uma pessoa tocando saxofone durante uma música, demonstrando o caráter espontâneo e comunitário dessas atividades.

O ambiente no local é de convivência pacífica. Os proprietários reforçam que eventuais conflitos costumam acontecer apenas na escolha das músicas e são resolvidos de maneira amigável. O respeito mútuo é uma norma comum nas casas, contribuindo para a manutenção de uma cultura musical acessível a todos. Algumas avaliações de desempenho ainda dependem de critérios variados, que podem levar em conta talento, voz ou mesmo atitudes mais subjetivas.

Entre os desafios enfrentados, destacam-se a concorrência de profissionais que convidam clientes, além de dificuldades relacionadas ao respeito às regras de ocupação, como limites de volume. Os proprietários planejam ampliar a profissionalização dos espaços, buscando maior reconhecimento como parte integrante da cultura local, com a esperança de que essa atividade seja cada vez mais valorizada e apoiada pelos órgãos responsáveis.


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