Situada a aproximadamente 525 km de Niterói, uma jornada de cerca de seis horas pela Via Dutra leva até Holambra, uma cidade reconhecida pela forte presença da cultura holandesa, por vastos campos floridos e por seu patrimônio cultural peculiar. Com uma população estimada em 15 mil habitantes, a localidade é destaque nacional em produção de flores e plantas ornamentais, além de sediar a maior exposição do setor na América Latina.
A origem de Holambra remonta a 1948, quando cerca de 500 imigrantes do norte de Brabante, oriundos da Holanda devastada pela Segunda Guerra Mundial, estabeleceram-se na antiga Fazenda Ribeirão. O planejamento inicial voltado à criação de gado leiteiro foi substituído, em 1951, pela introdução de sementes de gladíolo, trazidas por um segundo grupo de imigrantes. Este evento marcou o início da transformação do cultivo de flores em uma pauta econômica que consolidou a cidade como referência na produção hortícola nacional. Em 2011, a cidade recebeu oficialmente o título de Capital Nacional das Flores, por meio de lei federal.
Desde sua fundação, Holambra passou a explorar essa vocação através de atividades como o leilão de plantas promovido pela Cooperativa Veiling Holambra, responsável por negociar mais de sete mil variedades de plantas ao longo dos anos, inspirado no modelo holandês de Aalsmeer. Além disso, a cidade abriga o maior moinho típico de grãos da América Latina, construído em 2008 para celebrar os 60 anos da imigração, o Moinho Povos Unidos, que oferece uma vista panorâmica da região.
O município também realiza anualmente a Expoflora, evento que acontece desde 1981, considerado a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina. Com previsão de receber cerca de 300 mil visitantes em sua 43ª edição, programada para agosto e setembro de 2026, o evento reforça o reconhecimento de Holambra como destino turístico. Esta condição é reforçada pelo título de Estância Turística concedido pelo governo de São Paulo, possibilitando repasses estaduais para o setor de turismo.
Outro destaque é o Moinho Povos Unidos, símbolo da identidade local, elevado a 38 metros de altura e acessível ao público, com um mirante que oferece vista aérea da cidade. As atrações turísticas incluem também fazendas com diversas espécies de flores, como o Bloemen Park, e campos de cultivo abertos ao público, como o Macena Flores. Passeios tradicionais como o Deck do Amor, um caminho sobre lago artificial rodeado por jardins, e o Museu Histórico de Holambra, que apresenta processos de colonização, também fazem parte do roteiro. O espaço infantil Parque Cidade das Crianças complementa a oferta turística da cidade.
Para os visitantes, a melhor época para apreciar as flores e a paisagem colorida é na primavera, embora a produção de flores seja contínua ao longo do ano. As condições climáticas variam, com invernos secos e verões chuvosos. As estações do ano oferecem diferentes experiências: o verão (dezembro a fevereiro), com temperaturas entre 20°C e 32°C; a primavera (março a maio), ideal para cicloturismo; o inverno (junho a agosto), mais frio e seco; e o período de setembro a novembro, considerado o mais indicado para visitar e assistir à Expoflora, devido às paisagens cheias de cores.
O deslocamento de Niterói até Holambra é realizado majoritariamente por rodovias, passando pela Ponte Rio-Niterói, a Via Dutra, e, dependendo do trajeto, pela Rodovia Anhanguera ou Bandeirantes, até a cidade. Alternativamente, é possível utilizar transporte rodoviário até Campinas e, de lá, seguir de carro ou ônibus até o destino, cujo aeroporto mais próximo é o de Viracopos, localizado a 67 km de distância.
Holambra representa no Brasil um exemplo singular de integração cultural e transformação econômica, resultado do esforço de imigrantes que substituíram o fracasso na atividade leiteira pela produção de flores. Sua história, marcada pelos moinhos, jardins e o sotaque holandês ainda presente, faz do passeio até lá uma imersão na herança europeia no interior paulista.
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