Na tarde desta quinta-feira, uma senhora foi atingida por disparos na região do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A vítima, identificada como Tânia Andrade Lima, conhecida por sua atuação na arqueologia, foi alvo de uma tentativa de assalto momentos após deixar uma instituição bancária. Ela foi atingida por três tiros, dois no pescoço e ombro, considerados de menor gravidade, e um na mão, que demanda maiores cuidados. A arqueóloga foi encaminhada ao Hospital Miguel Couto, mas posteriormente foi transferida para uma unidade particular por decisão de seus familiares.
Tânia Andrade Lima destaca-se por sua contribuição à história do Rio de Janeiro. Como pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e professora aposentada do setor de Antropologia do Museu Nacional, ela foi responsável por descobrir o Cais do Valongo, um importante sítio arqueológico localizado na Zona Portuária. Construído em 1811, o cais serviu como ponto de desembarque de africanos escravizados até 1831, quando o comércio foi proibido pela Inglaterra. Em 1843, recebeu o nome de Cais da Imperatriz após a visita da princesa Teresa Cristina. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017, o local representa um vestígio fundamental na história da escravidão na América.
Ao longo da carreira, Tânia recebeu diversas honrarias, incluindo o prêmio Hypatia Award em 2023, sendo a segunda mulher brasileira a conquistar essa distinção. Também foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, em 2006, e recebeu o Prêmio Globo “Faz Diferença” na categoria “Rio”, em 2016. Após o incidente, o Museu Nacional expressou solidariedade, reconhecendo sua dedicação de décadas à instituição e ressaltando a tragédia como um reflexo do aumento da violência na cidade. A instituição manifestou votos de recuperação plena à professora e ressaltou a importância de valorizar os profissionais essenciais para a sociedade.
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