março 17, 2026
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17/03/2026

Iguaba Grande e as rochas de 2 bilhões de anos na Lagoa de Araruama

A aproximadamente 112 quilômetros de Niterói, pela Rodovia Rio–Lagos (RJ-124), encontra-se a cidade de Iguaba Grande, situada entre a Lagoa de Araruama e a Serra de Sapiatiba. O percurso dura cerca de uma hora e quarenta minutos a duas horas. Ao chegar, o visitante encontra águas de temperatura amena e pouco profundas, além de uma orla marcada por palmeiras milenares, características que contribuem para um ambiente de tranquilidade preservado desde os tempos em que a cidade tinha apenas 500 habitantes, na década de 1940.

Na orla da Lagoa de Araruama, no bairro Cidade Nova, surge uma extensa formação rochosa conhecida como Pedra da Salga, que remete ao período Paleoproterozoico, há aproximadamente 2 bilhões de anos. Essa formação integra o Complexo Região dos Lagos, parte do Geoparque Costões e Lagunas, reconhecido pela UNESCO como candidato a Patrimônio Mundial. Históricos usos pelos povos tupinambá e pelos jesuítas apontam que a pedra era empregada como salina natural para o processamento de peixes, contribuindo para o nome atribuído ao local.

Próximo à Pedra da Salga, foi descoberta em 2008 a Pedra do Lagarto, uma rocha de 11 metros de comprimento, com formato que lembra um réptil, contendo sulcos possivelmente feitos por povos sambaquianos entre 5.000 e 3.000 anos atrás. A Lagoa de Araruama, por sua vez, é reconhecida como a maior laguna hipersalina do planeta em regimes permanentes, com cerca de 220 km² e água até uma vez e meia mais salina que o oceano.

Iguaba Grande integra a área do Geoparque Aspirante Costões e Lagunas, que abrange 16 municípios do litoral norte e leste do Rio de Janeiro, totalizando mais de 460 km de costa repletos de formações rochosas de 2 bilhões de anos de história geológica. Em julho de 2024, uma equipe de avaliadores da UNESCO visitou a região para avaliar suas condições, com o resultado previsto para ser divulgado após a próxima assembleia da organização.

O município também possui áreas protegidas, como a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de Sapiatiba e o Parque Estadual da Costa do Sol, que abrigam espécies ameaçadas. Segundo a prefeitura, a lagoa é fonte de sustento para pescadores locais, atrai turistas e pesquisadores de diversas partes do mundo.

Para quem dispõe de um dia e deseja explorar a região, há várias atrações próximas que podem ser visitadas de forma conjunta. Entre elas, a Ilha de Santa Rita, acessível a pé por uma travessia pela lagoa de aproximadamente 400 metros, oferece um oratório de 1917 e um pôr do sol considerado um dos mais bonitos da região. O sítio geológico e arqueológico formado pelas rochas de 2 bilhões de anos e a Pedra do Lagarto também ficam no bairro Cidade Nova.

Outros pontos de interesse incluem a Ponta da Farinha, uma reserva ecológica próxima ao núcleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), que oferece trilhas e vistas panorâmicas da lagoa, além do calçadão de 3,6 km à sombra de palmeiras imperiais e o Morro dos Canelas, com seu mirante que oferece uma vista ampla da cidade e das áreas ao redor. Para grupos familiares, a Lagoa de Bulcão conta com trilhas leves, espaço para pesca recreativa e parque infantil.

O clima na região é tropical, com verões quentes e invernos amenos, apresentando menor índice de chuva em comparação com a capital. Assim, a maior parte do ano oferece dias ensolarados ideais para atividades na lagoa. Na temporada de verão, de dezembro a fevereiro, as temperaturas variam entre 23°C e 33°C, aquecendo as águas da lagoa. Já no outono, de março a maio, os termômetros variam de 21°C a 29°C, com condições favoráveis para trilhas e explorações na serra. O inverno, de junho a agosto, apresenta temperaturas entre 17°C e 25°C, sendo um momento propício para circuitos rurais e pesca. Na primavera, de setembro a novembro, a temperatura sobe para faixas entre 20°C e 28°C, com ventos favoráveis aos esportes aquáticos.

Durante boa parte do ano, os ventos constantes tornam a lagoa um destino popular para a prática de kitesurf e windsurf. Para quem deseja viajar de Niterói, a rota mais rápida segue pela BR-101 até Manilha, entra na Via Lagos e, então, na rodovia Amaral Peixoto, totalizando aproximadamente 112 km e um tempo médio de 1 hora e 40 minutos a 2 horas. Alternativamente, quem prefere aproveitar as paisagens costeiras pode seguir pela RJ-106 a partir de São Gonçalo, num trajeto de cerca de 119 km, com trechos de pista simples.

Iguaba Grande, embora não aspire à grandiosidade de vizinhas como Búzios ou Cabo Frio, oferece autenticidade e uma experiência marcada por suas formações rochosas antigas, águas salgadas e uma ilha acessível a pé. Para quem busca um destino tranquilo, a combinação de natureza preservada e simplicidade faz da cidade uma opção distinta na Região dos Lagos.


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