A Ilha de Paquetá, localizada a aproximadamente 25 quilômetros de Niterói, oferece aos visitantes uma experiência semelhante a uma viagem ao passado. A travessia marítima pela Baía de Guanabara, com duração de cerca de uma hora e meia a duas horas, passa por pontos de troca na Praça XV antes de chegar ao bairro onde o tempo parece ter parado no século XIX. Nesse local, ruas de saibro, edificações coloniais e uma tranquilidade marcada pelo canto dos pássaros predominam, onde veículos motorizados dão lugar às bicicletas.
A história de Paquetá remonta ao século XVI, quando o cartógrafo francês André Thevet registrou a ilha em 1555, dez anos antes da fundação oficial do Rio de Janeiro. Posteriormente, após a expulsão dos franceses, Estácio de Sá dividiu o território em duas sesmarias em 1565, doando-as a dois capitães, formação que permanece até hoje na divisão do lado norte chamado de Campo e o sul denominado Ponte. A presença da monarquia brasileira trouxe nova notoriedade à ilha a partir de 1808, com Dom João VI frequentando o local e hospedando-se no Solar Del-Rei, atualmente uma biblioteca pública. Destaca-se também o exílio de José Bonifácio em 1829, assim como a menção na obra literária “A Moreninha”, publicada em 1844, que valorizou a ilha como cenário cultural.
Com um perímetro de oito quilômetros, a ilha pode ser percorrida a pé, de bicicleta ou em carrinhos elétricos. Desde 1999, toda a área urbana de Paquetá é protegida como Zona de Proteção do Ambiente Cultural, garantindo a preservação de casarões, capelas e do traçado original. Entre os pontos de interesse estão a Pedra da Moreninha, com vista panorâmica da Baía e do Pão de Açúcar; o Baobá Maria Gorda, uma árvore centenária tombada pelo patrimônio estadual; a Ponte da Saudade, um píer histórico conhecido por sua ligação com lendas locais; o Parque Natural Darke de Mattos, o maior da ilha, com trilhas e mirantes; e a Praça Pintor Pedro Bruno, famosa por suas esculturas de concreto em forma de peixes.
O clima de Paquetá apresenta características tropicais semelhantes às de toda a região do Rio de Janeiro, com verões quentes e úmidos, outonos amenos, invernos mais secos e primaveras agradavelmente floridas. Cada estação propicia diferentes experiências, seja para desfrutar das praias e pedaladas nos verões, explorar trilhas na primavera ou caminhar pelos museus e casarões históricos no inverno.
Para chegar à ilha partindo de Niterói, não há transporte marítimo direto. O percurso exige uma baldeação na Praça XV, com uma conexão de aproximadamente 20 minutos pela barca até o centro do Rio, seguida por uma travessia de cerca de uma hora até Paquetá. A tarifa de cada trecho é de R$ 7,70, e embarcações permitem o transporte de bicicletas sem custos adicionais. Alternativamente, quem preferir pode estacionar perto da Praça XV e embarcar de carro.
Paquetá mantém seu reconhecimento como um bairro protegido, sendo a única área do Rio de Janeiro sob proteção como Área de Proteção do Ambiente Cultural. A proteção foi formalizada em 1999, com várias árvores tombadas anteriormente, incluindo o emblemático Baobá Maria Gorda. A ilha também foi utilizada como local de testes do Censo Demográfico 2022 pelo IBGE, devido ao alto índice de vacinação da sua população, estimada em cerca de 3.486 habitantes.
Recomendada uma visita integral a Paquetá, que preserva em sua extensão características emblemáticas de um passado colonial, além de oferecer uma rotina tranquila e conexões históricas. A travessia a partir de Niterói é rápida, acessível e proporciona uma sensação de isolamento que dura o dia inteiro, consolidando a ilha como um destino ideal para quem busca contato direto com a história e a natureza do Rio de Janeiro.
Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.



