abril 3, 2026
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03/04/2026

Início do BRT em Irajá gera conflito entre prefeitura e governo estadual

Na manhã desta segunda-feira, a operação do Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, teve início com um incidente que marcou a estreia da nova linha 77, conectando Mesquita ao terminal. Um dos veículos utilizados na linha foi recolhido pelo Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), gerando repercussão e evidenciando a tensão entre os órgãos municipais e estaduais responsáveis pelo transporte público.

A linha 77, considerada a primeira conexão direta de um município da Região Metropolitana ao sistema BRT da capital fluminense, foi inaugurada no sábado, e desde então passou a realizar trajetos entre o terminal e pontos em Mesquita. A operação inicial ocorre de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, com intervalos de aproximadamente 15 minutos. Além dela, outras linhas, como a 70 e 73, utilizam o terminal como ponto de referência, integrando o sistema de transporte local ao novo equipamento.

Contudo, a repercussão da inauguração foi marcada por conflitos políticos e administrativos. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, criticou publicamente a ação do governo estadual, classificando-a como uma forma de desrespeito e de prejudicar moradores da Baixada Fluminense. Segundo o prefeito, o ato de rebocar o ônibus inviabiliza o atendimento ao público em horários essenciais, além de denunciar uma suposta resistência às propostas de integração do transporte metropolitano. Ele também reforçou que o projeto busca reduzir o tempo de viagem e ampliar a conectividade regional.

Por sua vez, o órgão estadual — representado pelo presidente do Detro-RJ — alegou que o transporte intermunicipal é de sua competência, e que qualquer operação nesse âmbito necessita de autorização oficial do estado. De acordo com suas declarações, a prefeitura estaria usando o terminal de forma política, o que justificaria a ação de reboque. O órgão também solicitou apoio de forças policiais locais para fiscalizações, reforçando a postura de que a linha estaria operando sem respaldo legal.

A disputa envolve o entendimento das atribuições de cada esfera de governo. A administração municipal interpreta o projeto como uma iniciativa de integração metropolitana ao sistema de BRT, enquanto o estado reforça a necessidade de autorização específica para transporte intermunicipal. Diante do impasse, permanecem as dificuldades na implementação plena da nova conexão, com expectativas de que os conflitos possam ser resolvidos através de canais institucionais nos próximos dias.


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