Um inquérito policial concluiu que a morte de Alan de Souza Nascimento, de 32 anos, ocorrida na BR-101, em São Gonçalo, resultou de um confronto entre policiais militares e criminosos armados durante uma operação na rodovia. A investigação indica que o tiroteio ocorreu enquanto os suspeitos realizavam ações criminosas na via, sem que fosse possível identificar quem disparou o tiro fatal.
O episódio ocorreu em 21 de fevereiro de 2026, quando Alan retornava do bairro Trindade com um amigo, no assento do passageiro de um Chevrolet Celta prata. Ambos foram abordados por criminosos próximo ao acesso ao Complexo do Salgueiro. Os assaltantes ordenaram que o veículo fosse colocado na pista, dificultando a passagem de outros carros. Momentos depois, equipes do Batalhão de Rondas Especializadas e Controle de Multidão (RECOM) chegaram ao local, iniciando troca de tiros com os suspeitos.
Segundo o relatório da investigação, depoimentos dos policiais envolvidos, além de imagens de câmeras corporais e gravações de câmeras de segurança, confirmam que os criminosos abordavam motoristas na rodovia antes da chegada das forças policiais. Gravações da concessionária Arteris mostram que, em determinado momento, cinco suspeitos retornaram ao centro da pista e tentaram abordar um veículo preto. Dois deles aparentavam portar armas curtas, enquanto um possível portador de arma longa.
Após as atividades ilícitas, os indivíduos abriram as portas do Celta, e dois homens se aproximaram do carro, orientando o condutor a posicionar o veículo de forma a bloquear parcialmente a via. A investigação revela ainda que Alan e as demais vítimas estavam na linha de tiro durante a intervenção policial, situada entre os criminosos e os agentes que reagiram ao confronto.
De acordo com as declarações dos policiais, duas equipes do RECOM foram acionadas após um alerta de roubo na rodovia. Os agentes relataram terem visto homens armados abordando motoristas e utilizando o Celta para bloquear a pista, momento em que foram alvos de disparos efetuados pelos suspeitos. Um policial afirmou ter feito cinco disparos com um fuzil de calibre 5,56 mm, com outros colegas também atirando durante o confronto. Após o combate, Alan foi atingido na região do pulmão esquerdo e, apesar dos primeiros socorros, não resistiu ao ferimento.
A investigação não conseguiu identificar a origem do disparo fatal. A Polícia Civil relatou que, devido à presença de diversos indivíduos armados e às ações ocorridas no momento, não foi possível determinar se a bala saiu de uma arma de criminosos ou de um policial. A falta de projéteis compatíveis para análise balística impediu uma identificação conclusiva.
O documento também abordou a hipótese de erro na execução, caso o disparo tivesse partido de um policial que reagia ao ataque. Contudo, o relatório não aponta prova de que algum agente tenha sido responsável pelo tiro que matou Alan. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público, que ainda não se pronunciou sobre o caso.
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