O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta semana, a inclusão do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio, no cadastro de bens tombados. A medida envolve tanto o edifício quanto seus jardins, que passarão a constar nos registros de bens de Belas Artes e Histórico.
Hoje, o palacete pertence à Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e é utilizado para eventos culturais e atividades educativas. Construído entre 1900 e 1906, o imóvel foi um presente de casamento de Candido Gaffré para Celina Guinle, filha de seu sócio Eduardo Guinle. Seu nome homenageia Linneo de Paula Machado, que fundou o Jockey Club Brasileiro.
Esse conjunto arquitetônico já tinha sido alvo de solicitação de tombamento em 1990, feita pelo urbanista Lúcio Costa. Na ocasião, Costa destacou o estilo beaux-arts do edifício, que representa um dos exemplos mais refinados de arquitetura renascentista francesa no Brasil. Ele elogiou a organização espacial do projeto, que divide funções e individualiza os ambientes internos da residência.
A relatora do processo no Iphan, Raquel Furtado Schenkman Contier, ressaltou que o palacete está inserido na área de amortecimento do sítio “Rio de Janeiro, Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar”, considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO. Segundo ela, a preservação do bem não deve focar apenas na estrutura, mas também na relação do edifício com a paisagem urbana e seus jardins, que desempenham papel social na área.
Ela reforçou a importância de manter a relação do espaço com a cidade e sua vizinhança, permitindo o usufruto público dos jardins e considerando possibilidades de novos usos ao imóvel. O palacete conta com tombamentos anteriores, realizados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), em 2006, e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), em 1987.
Durante a reunião, sugeriu-se também a atualização do nome oficial do imóvel para incluir explicitamente Celina Guinle, a fim de valorizar sua trajetória feminina e evitar o apagamento de sua memória histórica. A ideia foi apoiada pela conselheira Natália Vieira, que acredita na necessidade de reconhecer figuras femininas na história para promover maior visibilidade.
Representantes do setor também elogiaram a decisão, destacando o valor do reconhecimento em nível federal para a preservação do patrimônio e o incentivo ao acesso público. O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ressaltou que a medida reforça o compromisso com a preservação cultural e a importância de promover debates contemporâneos no espaço do palacete.
Por outro lado, o conselheiro Bernardo Souza alertou para a vigilância constante na manutenção do bem, enfatizando que, mesmo com as regras de proteção existentes, há risco de perdas ao patrimônio devido à atuação de pequenos fatores que podem se acumular ao longo do tempo.
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