agosto 10, 2026
agosto 10, 2026
10/08/2026

Jornalista revisita início da carreira no jornal LIG e reflete sobre histórias que marcam a trajetória

Nesta semana, relembrar a importância das histórias pessoais revelou-se um exercício valioso. Ao revisitar minha trajetória profissional, tive uma surpresa: uma antiga amiga e colega de jornalismo, Ana Paula Campos, encontrou em seus arquivos algumas reportagens que escrevi no Jornal LIG, no começo dos anos 1990. Essa descoberta reforçou a ideia de como experiências aparentemente simples podem influenciar nosso futuro de forma significativa.

Ana Paula, então, me propôs uma oportunidade: indicar-me para uma vaga de repórter na publicação. Aceitei imediatamente. O Jornal LIG, dirigido por Fernando Marcondes Ferraz, tinha forte influência na cidade de Niterói nas décadas de 1970 e 1990. Seu nome derivava das regiões Litoral, Icaraí e Gavião, áreas centrais na urbanidade da cidade.

Embora tivesse iniciado minha carreira na rádio, trabalhando na Rádio Estácio para custear meus estudos, meu sonho sempre foi atuar na imprensa escrita. Queria produzir textos mais elaborados, com uma linguagem mais aprofundada e poética—um desejo que carregava desde o início. Essas primeiras experiências de entrevistar personalidades e reportar acontecimentos de Niterói marcaram meu caminho, momento em que percebi o glamour e a importância da profissão, ainda que de maneira modesta.

Na época, também tinha apreço pelas equipes de reportagem da Rede Globo e pelo universo televisivo, áreas que despertaram meu interesse, embora meu foco fosse a escrita jornalística. Minha rotina no LIG foi marcada por alguns embates com Fernando, que questionava minha quantidade de texto, recusando-se a pagar por laudas extras, mesmo quando a reportagem justificava novos parágrafos. Ainda assim, o que mais me motivava era escrever.

Outros momentos marcantes incluem ter recebido um presente da mãe do colega Angelo Segrillo, por uma resenha sobre seu livro “Um brasileiro na Perestroika”, e ter assistido ao espetáculo “Carmina Burana” no Theatro Municipal de Niterói, a convite do diretor artístico Roberto Lima. Essas experiências reforçaram meu apreço por jornalismo cultural e pela capacidade de mergulhar na narrativa de diferentes áreas.

Hoje, essas lembranças reforçam minha crença de que as experiências vividas, sejam pessoais ou profissionais, moldam quem somos. Como editora da Texto & Café Comunicação e Editora, empenho-me em valorizar histórias de vidas, muitas vezes desconhecidas por familiares e amigos, mas que representam legados importantes. Essa perspectiva motiva a produção de trabalhos que preservam esses momentos, como futuros livros e registros duradouros.

Recentemente, tive um reencontro com o jornalista Jardel Júnior, ex-editor do Jornal LIG, durante depoimento ao Fórum da Memória do Jornalismo Fluminense, organizado por Mário Sousa. O convite de Mário para ser responsável pela edição de um livro que reunirá esses encontros reforça meu compromisso com a valorização da memória jornalística e das trajetórias de profissionais que contribuíram para a história da imprensa no estado.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad