março 12, 2026
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12/03/2026

Juíza aponta acesso precoce à pornografia como causa de comportamentos misóginos entre adolescentes

Uma pesquisa conduzida pela juíza Vanessa Cavalieri, responsável pela Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, indica que adolescentes de 12 a 17 anos apresentam maior incidência de comportamentos misóginos em comparação com homens adultos e idosos. A magistrada atribui esse fenômeno ao acesso precoce à pornografia, que, segundo ela, distorce a compreensão dos jovens sobre relações sexuais e violência contra mulheres.

Durante audiência na CPI do Crime Organizado, no Senado, Cavalieri compartilhou que seu trabalho com adolescentes revela que episódios de abuso sexual entre estudantes de escolas de classe média não são casos isolados. Muitos desses atos são registrados em vídeos, revelando que os jovens reproduzem comportamentos vistos em conteúdos pornográficos acessados de forma precoce na internet. Pesquisas citadas pela juíza indicam que o contato de crianças com cenas explícitas no Brasil ocorre por volta dos nove anos, muitas vezes de forma acidental ao buscar informações sobre sexualidade online.

A magistrada ressaltou que, ao procurar por educação sexual, muitas crianças encontram facilmente sites pornográficos com poucos cliques, levando-os a assimilar que tais imagens representam relações sexuais normais. “A partir desse contato, meninos e meninas começam a entender aquilo como a forma natural de se relacionar”, observou.

O caso recente em Copacabana, envolvendo a detenção provisória de um adolescente de 17 anos, é considerado um exemplo da gravidade dessa problemática. O jovem foi apontado como responsável por um estupro coletivo e está internado na Unidade de Acautelamento Gelso de Carbalho Amaral. Inicialmente, o Ministério Público não solicitou a internação, mas revisou sua posição após a descoberta de uma segunda vítima que também reconheceu participação do adolescente.

Cavalieri comentou que a pornografia frequentemente retrata relações misóginas, violentas e degradantes, o que reforça comportamentos abusivos entre jovens. Para ela, compreender o impacto desses conteúdos é essencial para ações de prevenção e educação, uma vez que o desenvolvimento dos valores sociais dos adolescentes está em formação. Ela reforçou ainda que casos de estupro coletivo entre estudantes de escolas públicas e privadas costumam seguir um padrão comum, com atos filmados e cenas de violência que os jovens têm acesso precoce.


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