A Justiça do Rio de Janeiro condenou o economista e empresário Eduardo Fauzi Richard Cerquise a uma pena de quase cinco anos de prisão por ter provocado um ataque com coquetéis molotov contra a sede da produtora Porta dos Fundos, no bairro de Botafogo, zona sul da capital. A sentença foi emitida pela 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça local, que determinou o início da pena em regime semiaberto. Além disso, o magistrado indeferiu o direito de Fauzi de recorrer em liberdade, mantendo sua prisão preventiva com base na preservação da ordem pública e na necessidade de garantir a aplicação da lei penal.
A decisão leva em consideração o histórico do réu, que deixou o país logo após o crime e foi localizado na Rússia apenas em 2020, sendo extraditado em 2022. Os elementos que embasaram a condenação incluem análises técnicas, como reconhecimento facial e imagens de câmeras de segurança, que reconstruíram o percurso de fuga de Fauzi após o atentado. A investigação revelou que a motivação do ato estaria ligada à insatisfação com o conteúdo do especial de Natal da produtora, retratando Jesus como gay, e que Fauzi integrava um grupo nacionalista identificado como “Comando da Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”.
Durante as apurações, a Polícia Civil identificou Fauzi como um dos responsáveis por lançar os artefatos incendiários na sede da produtora, ocorrendo cinco dias após o lançamento do vídeo. No momento do ataque, um segurança que estava no local conseguiu apagar as chamas, sem se ferir. Após a identificação do suspeito, a Justiça determinou sua prisão, mas ele já tinha deixado o Brasil antes do cumprimento da ordem.
Investigações apontaram que, durante buscas em endereços ligados ao acusado, foram apreendidos R$ 119 mil em dinheiro, além de armas de brinquedo, facas e uma camisa relacionada a um grupo de orientação nacionalista. Com a fuga internacional, a Organização Internacional de Polícia Criminal emitiu alertas de captura. Fauzi foi localizado e preso em Moscou em setembro de 2020 e permaneceu sob custódia na Rússia até a autorização para sua extradição, que foi concedida em janeiro deste ano. Em 3 de março, ele retornou ao Brasil, sendo trazido ao Rio de Janeiro sob escolta da Polícia Federal, após desembarcar no Aeroporto de Vnukovo, na Rússia.
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