abril 15, 2026
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15/04/2026

Justiça do Rio condena terceiro envolvido na morte de Moïse Kabagambe a 18 anos

A Justiça do Rio de Janeiro condenou nesta quarta-feira o terceiro envolvido na morte de Moïse Kabagambe, congolês assassinado em 2022 na zona oeste da cidade. Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, foi sentenciado a 18 anos e oito meses de prisão em regime fechado por homicídio tripla e qualificado.

A decisão foi proferida pelo 1º Tribunal do Júri, após aproximadamente nove horas de julgamento ocorrido no centro do Rio. Os jurados reconheceram que o crime foi praticado com agravantes, incluindo o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, motivação fútil e emprego de meio cruel durante a agressão.

Na sentença, a juíza destacou a conduta do réu durante o ataque. Segundo ela, Brendon manteve Moïse imobilizado por mais de 12 minutos enquanto outros envolvidos o espancavam com socos, chutes e pedaços de madeira. A promotora responsável pelo caso afirmou que o acusado desempenhou papel crucial no ataque, sendo determinante para a implementação das agressões.

O episódio ocorreu em 24 de janeiro de 2022, em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, onde a vítima trabalhava. De acordo com a investigação, Moïse foi atacado após cobrar atrasados de diárias. Imagens exibidas durante o julgamento mostram o momento em que Brendon derruba a vítima com um golpe, enquanto outros agressores a golpeavam. Ao todo, foram contabilizados ao menos 37 golpes, incluindo socos, chutes e uso de pedaços de madeira.

Durante o ataque, o réu parecia preocupado com a vítima e, após aproximadamente dez minutos, solicitou uma foto na posição em que a mantinha imobilizada, o que foi interpretado pela promotoria como um comportamento insensível e até irônico. Familiares de Moïse acompanharam emocionados as imagens do crime e reagiram às cenas de agressão.

A promotoria também apontou que houve tentativa de simular um socorro após o ataque, com Brendon realizando manobras de massagem e jogando água sobre o corpo de Moïse. Para os investigadores, tais ações visavam apenas disfarçar os sinais de violência, não salvar a vítima. A defesa, no entanto, negou a intenção de matar, alegando que o réu tentou conter a situação, e pediu a desclassificação do crime de homicídio para lesão corporal.

Os jurados rejeitaram o argumento da defesa. Brendon foi o último dos três acusados a ser julgado; os demais já haviam sido condenados em 2025 a penas superiores a 19 anos de prisão, totalizando mais de 40 anos em regime fechado. No momento, o réu aguarda o cumprimento da sentença.


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