A Justiça do Rio decidiu manter a realização de um leilão de um imóvel do Grupo Sendas, localizado na Rua Barão de Itambi, em Botafogo. A decisão foi tomada pela 14ª Vara da Fazenda Pública, que rejeitou pedido de liminar que buscava suspender a venda. Assim, o processo de venda do edifício, prevista para o dia 28, permanece autorizado, diante da avaliação de que não há elementos suficientes para sua interrupção no momento.
O imóvel foi objeto de disputa judicial envolvendo a Prefeitura do Rio, que pretende desapropriar o prédio por interesse público. Desde março, o município tenta retomar a propriedade do local, que atualmente abriga uma academia e possui contratos ativos de funcionamento. A iniciativa de desapropriação já havia sido questionada anteriormente por ações movidas pela própria empresa, apontando irregularidades no decreto municipal que autoriza a medida. Em decisões anteriores, uma vara da Fazenda Pública chegou a declarar o ato nulo, citando indícios de desvio de finalidade e favorecimento a interesses privados.
A decisão atual reforça a presunção de legalidade dos atos administrativos e limita a atuação do Judiciário em questões relativas às políticas públicas do Executivo. Mesmo com a manutenção do leilão, o Grupo Sendas anunciou que recorrerá à instância superior com o objetivo de obter a suspensão da venda. A companhia manifesta lamentar a decisão, alegando que pontos relevantes de sua defesa não foram devidamente considerados e questiona a destinação do imóvel, que ainda está em uso, reforçando que a desapropriação sem justificativa clara de interesse público prejudica a segurança jurídica e o ambiente de negócios na cidade.
A empresa também critica a transparência do processo, apontando possíveis favorecimentos e a existência de um projeto apresentado por uma entidade antes mesmo do leilão. Enquanto isso, moradores da região defendem a manutenção do uso atual do prédio, que por anos funcionou como supermercado, e contestam a desapropriação, desejando que o espaço continue ativo comercialmente.
Desde sua instalação, em 1966, o Grupo Sendas afirma ter investido mais de R$ 600 milhões na cidade do Rio de Janeiro. O futuro do imóvel, contudo, ainda depende de desdobramentos judiciais e administrativos, que podem alterar o andamento do processo de venda e de eventual desapropriação.
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