março 19, 2026
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19/03/2026

Lançamento de livro infantil de Taís Espírito Santo celebra cultura afro-indígena e ancestralidade

Na manhã deste sábado (21), ocorreu o lançamento do segundo livro infantil da autora Taís Espírito Santo, intitulado Matundê, na cidade do Rio de Janeiro. A obra foi apresentada no Teatro Arthur Azevedo, localizado no bairro de Campo Grande, na zona oeste da cidade, como parte da programação da “Feira Elas, Vozes Literárias”. O evento, aberto ao público sem cobrança de ingresso, coincidiu com a celebração da literatura produzida por mulheres.

A narrativa centraliza a figura de um menino chamado Matundê, representando uma criança de uma família preta que preserva memórias de ensinamentos antigos ligados à cura através de ervas, transmitidos por gerações. Segundo a autora, o nome do livro não foi escolhido ao acaso; ele simboliza uma abertura para compreender as referências culturais presentes na história. Para ela, a obra nasce de experiências pessoais e de uma conexão coletiva que homenageia figuras familiares, como sua bisavó indígena, sua tia que trabalha com plantas medicinais, bem como seus pais, que influenciaram sua formação sobre cuidado e ancestralidade.

Ilustrado pelo artista Cau Luis, que também assina as imagens do primeiro livro de Taís, Ashanti: a nossa pretinha, o livro busca criar uma narrativa visual envolvente. Cau destaca que cada elemento foi pensado para promover uma percepção positiva de si mesma nas crianças, incluindo referências ancestrais como os adinkras, presentes na capa, e uma paleta de cores cuidadosamente escolhida para valorizar a estética e o impacto afetivo da leitura.

Segundo Vagner Amaro, responsável pela editora Malê, a produção literária de Taís contribui para o fortalecimento da autoestima de crianças negras e promove uma visão mais inclusiva do mundo. Ele enfatiza que a história combina elementos das cosmovisões afro-indígenas, a conexão com a natureza e relacionamentos familiares afetivos, além de valorizar a representatividade de personagens negros e o protagonismo infantil. O livro é recomendável para leitura em ambientes escolares e familiares.

Embora voltada ao público infantil, a narrativa convida adultos e crianças a refletirem sobre a importância da ancestralidade e seu papel no presente. A obra sugere que a cura surge quando diferentes mundos se encontram, promovendo uma aproximação do passado, presente e futuro por meio do reconhecimento das memórias afetivas e do cuidado transmitido de geração em geração.

Taís Espírito Santo comenta que a escrita do livro foi um processo de introspecção e de conexão com suas próprias histórias familiares. Ela deseja que os leitores se sintam tocados e se reconheçam na narrativa, incentivando a escuta dos saberes ancestrais como janela para o autoconhecimento. O livro está disponível no site da editora Malê e será vendido também durante o evento de lançamento.

A autora, natural da zona oeste do Rio de Janeiro, é roteirista, coordenadora do Instituto Casa Poema e fundadora da Òrun Aiyê Produções, que valoriza narrativas negras. Com um portfólio que inclui doze publicações, especialmente nas áreas de literatura infantil, seu trabalho traduz a memória, o afeto e a ancestralidade em histórias que atravessam diferentes gerações.


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