março 22, 2026
março 22, 2026
22/03/2026

Legado de Cláudio Castro na gestão do Rio apresenta avanços e desafios em economia, segurança e infraestrutura

O mandato de Cláudio Castro no governo do Rio de Janeiro apresenta resultados distintos, evidenciando avanços econômicos pontuais e dificuldades estruturais persistentes. Ao encerrar sua gestão, o ex-governador deixa um panorama marcado por indicadores positivos em aspectos isolados, aliados a um cenário político e administrativo marcado por conflitos, crises e limitações.

Na esfera econômica, destaque-se a criação de mais de 100 mil empregos formais em 2025, fazendo do estado o segundo no país nesse indicador. Este dado reforça a narrativa de recuperação econômica adotada pelo governo durante o período. No setor de turismo, embora o número total de visitantes na capital tenha atingido 12,5 milhões — incluindo 2,1 milhões de estrangeiros — a maior movimentação internacional no estado também está relacionada a grandes eventos na cidade, destacando a influência direta da Prefeitura e da Riotur na atração de turistas.

Por outro lado, os avanços fiscais enfrentam obstáculos. A adesão ao Programa de Regularização Fiscal (Propag) aparenta mais uma medida emergencial do que uma estratégia de fortalecimento fiscal. O orçamento de 2026 prevê um déficit superior a R$ 18 bilhões, enquanto a renúncia fiscal estimada pela Assembleia Legislativa ultrapassa R$ 24 bilhões, indicando a ausência de reformas fiscais e administrativas profundas durante o mandato.

Na área de segurança pública, ações de destaque incluíram uma grande operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, proclamada como referência histórica com a apreensão de armas e prisões em massa. Contudo, estudos de percepção pública revelam que a maioria da população ainda vive sob influência de facções armadas, e o sentimento de insegurança permanece elevado. Pesquisas indicam uma continuidade no medo e na desconfiança em relação às instituições de proteção.

Na política, o cenário se agravou com a retomada do julgamento de recursos relacionados à cassação dos diplomas de Castro e seus aliados por supostos abusos eleitorais. Além disso, episódios envolvendo a prisão de um vereador sob suspeita de ligação com o crime organizado agravaram a percepção de um governo fragilizado, dependente de apoio parlamentar e envolvido em uma disputa de poder cujo desfecho ainda é incerto. Ainda, acusações de uso político da força policial contra adversários aprofundaram a crise institucional.

Nos transportes, o governo de Castro enfrentou dificuldades na mobilidade urbana. Não houve inauguração de novas linhas de metrô e as principais obras do sistema permanecem paradas ou em andamento, incluindo a retomada das obras na estação Gávea. As crises na concessionária SuperVia também contribuem para um cenário de fragilidade na mobilidade ferroviária, com a operação de trens ainda em recuperação judicial e sem uma solução definitiva para o sistema.

No saneamento, a privatização da antiga Cedae trouxe recursos significativos, mas os investimentos prometidos não se converteram em melhorias expressivas ou em um legado político relevante. Investimentos nas concessionárias e avanços na infraestrutura de tratamento de água tiveram impacto operacional, como a redução do despejo de esgoto na Baía de Guanabara, porém, sem uma projeção de efeitos políticos duradouros.

Ao concluir seu mandato, Castro deixa um balanço que mistura resultados positivos pontuais, principalmente na geração de empregos, com um panorama de crise política, insegurança, dificuldades na mobilidade e limitações na condução de reformas estruturais. O legado, portanto, configura-se como uma combinação de números encorajadores e páginas ainda abertas para melhorias e desdobramentos futuros.


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