abril 22, 2026
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22/04/2026

Longa-perfomance “Proteção” é realizado por equipe periférica e aborda racismo e ancestralidade

Um projeto audiovisual desenvolvido ao longo de sete anos, que enfrentou obstáculos como a pandemia, estreia nesta semana no Cine Odeon, no Rio de Janeiro. A produção audiovisual, intitulada “Proteção,” aborda temáticas relacionadas ao racismo, às raízes culturais e às escolhas pessoais, gerando impacto por sua narrativa emocional e reflexiva.

O filme foi realizado por uma equipe majoritariamente composta por profissionais da periferia, com envolvimento de artistas locais. O diretor Alberto Sena, natural de São Gonçalo, destaca sua ligação com a cidade que moldou sua trajetória cultural. Seu parceiro na produção, Marcos Moura, também reforça essa conexão com a região, reforçando o caráter comunitário do projeto.

A produção enfrentou desafios desde o início. O roteiro, escrito em 2018, teve as filmagens iniciadas em 2019, mas precisou ser pausada devido à chegada da pandemia de COVID-19. A retomada ocorreu em 2021, e as filmagens terminaram no ano passado. Durante este período, a equipe precisou se adaptar constantemente, realizando alterações no planejamento para assegurar a continuidade da narrativa, incluindo gravações em um hospital dias antes do começo da pandemia, momento considerado decisivo pelo diretor.

Sem financiamento oficial, o longa foi viabilizado por meio de parcerias e do esforço coletivo dos profissionais envolvidos, na maioria residentes na mesma região de origem. Moura enfatiza que a produção foi uma oportunidade de aprendizado e uma experiência coletiva, que englobou diferentes aspectos, desde transporte até alimentação, criando um ambiente colaborativo.

O roteiro, que abordava uma epidemia de caráter social antes mesmo da disseminação do coronavírus, passou a adquirir uma conexão ainda mais forte com a realidade após o advento da COVID-19. Com cerca de 90% do elenco formado por atores negros, o filme reforça o protagonismo de pessoas negras tanto nas telas quanto na equipe técnica. A atriz Luana Arah, nascida em Niterói e criativa no bairro do Cubango, interpreta Zayla, uma personagem que explora laços familiares e questões de ancestralidade e espiritualidade. Para ela, o papel representa um passo importante na sua trajetória artística, além de refletir debates relevantes sobre a representatividade.

A produção também priorizou aspectos estéticos e visuais, com a colaboração da diretora de arte Laís de Souza e da responsável pela caracterização, Ana Méndez. Durante o processo criativo, mudanças na concepção da história foram feitas, incluindo a categorização do vírus como bactéria, o que influenciou toda a abordagem do filme. A detalhada caracterização dos personagens utilizou materiais e técnicas cuidadosamente selecionados, muitas vezes com recursos improvisados, devido às limitações financeiras.

A estreia no Cine Odeon, diante de uma audiência de quase 600 espectadores, marcou um momento significativo para a equipe. Segundo Moura, a reação do público reforça a demanda por narrativas que abordem questões sociais e raciais com autenticidade. O filme provoca um olhar crítico, estimulando reflexão e identificando valores universais, mesmo diante de temas delicados. “Proteção” consolida-se como uma obra de resistência e afirmação cultural, buscando atingir também o público geral, que pode refletir a partir de suas próprias experiências de vida.


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