Uma mãe de uma criança de cinco anos, diagnosticada com TDAH e apraxia da fala, relatou dificuldades enfrentadas na matrícula escolar na escola particular Legacy School, localizada em Porto Velho, São Gonçalo. Apesar de ter assinado o contrato de matrícula, ela foi surpreendida pela alegação de que não havia vagas disponíveis para o período solicitado, impedindo o ingresso do filho na instituição.
A mulher explicou que buscava uma escola adequada às necessidades do garoto, que passa por dificuldades relacionadas ao TDAH, principalmente na concentração e na adaptação ao ambiente escolar. Ela relatou, ainda, que na visita à escola, conversou com a coordenação e a equipe pedagógica, esclarecendo o quadro clínico do filho, incluindo sua preferência por o parquinho, que na antiga escola gerava dificuldades na adaptação ao ambiente escolar, além de explicar os limites do menino e a necessidade de suporte especializado.
Segundo ela, a escola inicialmente informou sobre a disponibilidade de vagas na turma pré-alfabética para crianças de cinco anos, mas por motivos pessoais, não conseguiu comparecer presencialmente para formalizar a matrícula. A alternativa foi fazer a assinatura do contrato digitalmente, via plataforma governamental, e adiantou que retornaria posteriormente para os trâmites finais, como pagamento de matrícula e aquisição de material didático.
Ao chegar para a matrícula, a criança se percebeu em um ambiente escolar, reconhecendo o espaço como uma escola, e tentou manifestar desejo de brincar no parquinho. A mãe explicou que a atitude dele se tratou de uma pirraça típica, motivada pela associação do espaço com lazer, já que ele costuma se comportar assim em situações de frustração, sem surtos ou crises severas. Ela também relatou que, apesar do nervosismo, a criança não chorou e que a escola formalizou a sua presença, embora tenha alegado a falta de vagas e a ausência do reconhecimento do contrato assinado.
Uma representante da escola afirmou que não há vagas disponíveis e justificou a negativa pelo fato de o contrato não ter sido assinado pelo responsável, sem fornecer detalhes adicionais ou contatos para esclarecimentos futuros. A mãe informou que já acionou um advogado, entrou com denúncias junto à Secretaria Municipal de Educação e ao Conselho Tutelar, além de tentar obter documento oficial da escola confirmando a indisponibilidade de vagas — até o momento, sem sucesso.
Especialistas ressaltam que condições como TDAH e apraxia da fala não impedem o processo de aprendizagem, desde que a criança receba suporte apropriado. Segundo uma psicóloga especializada, crianças com TDAH frequentemente enfrentam dificuldades de atenção, organização, controle de impulsos e regulação emocional, o que exige estratégias pedagógicas específicas. Já a apraxia da fala dificulta o planejamento e a coordenação motora necessária para a articulção de sons e palavras, podendo afetar a comunicação oral.
A profissional destaca que o acompanhamento multidisciplinar e adaptações pedagógicas são essenciais para garantir o progresso dessas crianças. Entre as medidas recomendadas estão instruções claras, divisão de tarefas, recursos visuais e suporte na comunicação e regulação emocional. Ela também aponta que, no Brasil, embora não haja legislação específica que considere TDAH ou apraxia como deficiência, as leis de inclusão garantem o direito à educação de todos, exigindo que as escolas estejam preparadas para atender às necessidades diversas dos estudantes.
Por fim, a turma K5 — correspondente ao segmento de Educação Infantil para crianças de cinco a seis anos — é voltada ao desenvolvimento lúdico, à alfabetização inicial e à formação de autonomia, elementos considerados essenciais durante essa etapa de transição para o ensino fundamental.
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