outubro 16, 2026
outubro 16, 2026
16/10/2026

Mais de 300 focos de incêndio na Amazônia são combatidos por equipes e veículos especializados

Nos últimos cinco dias, equipes de ações conjuntas no Amazonas conseguiram apagar mais de 300 focos de incêndio florestal. Nos registros mais críticos, o número de focos atingiu o pico de 494 no dia 10 de outubro. Até esta sexta-feira, o painel de monitoramento “Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que o estado possui atualmente 188 focos ativos.

As operações do combate às queimadas envolvem cerca de 330 profissionais distribuídos em frentes coordenadas pelo Ibama e pelo ICMBio. Foram enviadas ao Amazonas 11 aeronaves, além de 32 veículos terrestres e oito embarcações, buscando acelerar a resposta às chamas na região. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informa que as equipes continuam monitorando a evolução da situação.

Segundo o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, a maioria dos incêndios é resultado de ações humanas intencionais. As forças de segurança, incluindo a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Amazonas, estão investigando as possíveis origens desses focos.

Especialistas explicam que quase toda a ocorrência de incêndios na floresta é de origem antrópica. A única causa natural geralmente são raios, mas esses incêndios naturais normalmente ocorrem com o solo úmido e sob chuva, dificultando a propagação do fogo. A legislação brasileira proíbe o uso do fogo na vegetação, salvo situações específicas autorizadas por lei, como as previstas na Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

Historicamente, o período de estiagem na Amazônia, de agosto a novembro, aumenta a vulnerabilidade da vegetação aos incêndios, fato que se repete neste ano. No entanto, comparativamente, a quantidade de focos registrados em 2023 foi menor do que em anos anteriores, que apresentaram índices bem mais elevados de fogo na região.

A presença de um fenômeno climático chamado El Niño, previsto para 2026, tem potencial de agravar ainda mais o quadro. Com o aquecimento das águas do Pacífico Tropical, o padrão de chuvas na área fica irregular, contribuindo para a propagação de focos de fogo. A especialista Ane Alencar, do Ipam, observa que os fatores atuais, aliados ao aumento no uso do fogo após o período eleitoral, podem estar intensificando a situação.

Análises de satélite revelam que as áreas de maior concentração de focos na região próxima a Manaus compreendem terras públicas ainda não destinadas a funções socioambientais. Segundo a pesquisadora, esse contexto sugere a possibilidade de grilagem, que pode estar incentivando o uso irregular do fogo. Ela reforça que aos poucos, com a chegada do período mais seco e a intensificação dos efeitos do El Niño, a situação tende a se agravar, especialmente nas áreas próximas a Manaus, Santarém, e regiões do norte do Pará, Maranhão, Amapá e Roraima. As autoridades continuam a monitorar e reforçar as estratégias de combate a incêndios na região.


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