A exposição individual “Entre Aqui e Além” do artista Mano Wladimir encerra suas atividades neste sábado (15/08) no Centro Cultural Lado B, localizado na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro. Curada pela crítica e historiadora de arte Bruna Costa, a mostra apresenta uma coleção de obras que incluem pinturas, serigrafias e carrancas, refletindo a trajetória e a visão artística do autor.
Mano Wladimir, estudante de Design e filho da cantora Marisa Monte, desde a infância dedicou-se às artes plásticas. Sua relação com a pintura começou ao transformar o medo de monstros, que o acompanhava na infância, em uma fonte de inspiração criativa. Ele conta que os monstros, tanto imaginados quanto representados pelos brinquedos em seu quarto, marcaram seu interesse pelo grotesco e pela liberdade de expressão artística, sem a preocupação de produzir obras que precisassem ser bonitas ou realistas.
A exposição dialoga com elementos culturais brasileiros, como carrancas, malandros, a vida na Lapa e os carnavais. Mano explica que as carrancas e as criaturas monstruosas presentes em suas obras remetem ao seu interesse pelo monstruoso, uma fascinação de infância que também o levou a pesquisar aspectos da cultura nacional, usando referências tradicionais e culturais como inspiração.
Ao falar sobre sua trajetória, Mano destaca a influência de figuras familiares e culturais, incluindo seu avô, Carlos Monte, ligado à escola de samba Portela, e autor do livro “A Velha Guarda da Portela”. Desde pequeno, viu a arte como uma profissão possível, e sua vontade de expô-la ao público se concretizou na mostra que, agora, promove sua entrada definitiva no mercado de arte. Para ele, sua produção incorpora elementos de música, folclore, religiosidade, malandragem e samba, refletindo a diversidade de suas influências.
Mano Wladimir vê a arte também como uma ferramenta para organizar sua percepção da realidade e destacar o que considera essencial. Para o artista, a criação artística é uma forma de exercitar a atenção, filtrando as inúmeras informações do mundo contemporâneo e valorizando conceitos e imagens que têm significado. Ele enxerga na pintura uma prática de espiritualidade e uma maneira de ampliar sua sensibilidade perante o cotidiano e as pessoas, atentos às pequenas descobertas do dia a dia.
Com o encerramento da exposição, Mano conta que novas oportunidades surgiram, incluindo convites para participar de coletivas em Rio e São Paulo, além de elaboração de um livro voltado a artistas iniciantes. Ele também participará de eventos na ArtRio e afirma que sua produção continua em andamento, com projetos futuros ainda em elaboração.
Sobre seu processo criativo, Mano explica que sua personalidade e o ritmo da vida moderna influenciam a diversidade de linguagens em suas obras. Segundo ele, sua necessidade de mudança constante e dispersão de foco reflete o modo como sua geração navega pelo mundo. Essa diversidade de interesses é mantida na direção de um objetivo comum, ligado à força de sua expressão artística.
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