O transporte público gratuito tem ganhado espaço no Estado do Rio de Janeiro, envolvendo principalmente cidades que buscam ampliar o acesso à mobilidade urbana. Maricá, que adotou o sistema em 2014, figura como um exemplo pioneiro e referência nacional, demonstrando que oferecer transporte sem tarifas pode promover inclusão social e estimular o desenvolvimento local.
Desde a sua implementação, a iniciativa de Maricá inspirou outros municípios fluminenses a experimentar modelos semelhantes. Atualmente, cerca de 16 cidades, incluindo Itaboraí, Japeri, Duque de Caxias, Magé, Paracambi, Guapimirim e Silva Jardim, operam com alguma forma de tarifa zero. Essa expansão reflete uma resposta à crise no transporte público, marcada por queda no número de passageiros, alta de tarifas e diminuição na oferta de linhas, fatores que motivaram a busca por alternativas para garantir o direito ao transporte.
Os resultados observados em Maricá são expressivos, com um aumento no número de usuários e uma economia direta no orçamento das famílias. Sem a necessidade de pagar passagens, trabalhadores podem destinar recursos a outros itens essenciais, fortalecendo o comércio local e estimulando a geração de empregos. Além disso, a gratuidade promove maior circulação dos moradores, facilitando o acesso a serviços públicos e espaços de lazer, sobretudo em áreas mais afastadas do centro urbano.
A expansão do serviço em municípios como Japeri e Duque de Caxias reforça a efetividade do modelo, que, apesar de desafios no financiamento, mostra potencial de crescimento sustentável. Japeri, por exemplo, já registra uma economia relevante para a população com aumento do movimento de passageiros, enquanto Caxias contabiliza centenas de milhares de viagens realizadas com sistema parcialmente gratuito.
O principal obstáculo continua sendo o financiamento do transporte gratuito, com diferentes estratégias adotadas pelos municípios. Maricá, por exemplo, combina recursos oriundos dos royalties do petróleo ao planejamento fiscal para manter o sistema operante, enquanto cidades menores têm adotado avanços gradativos, inicialmente com poucas linhas.
A tendência indica uma mudança no paradigma de políticas públicas de mobilidade. O movimento, que reúne cidades de diversos tamanhos, fortalece a ideia de que o transporte gratuito deve ser tratado como um direito fundamental. Maricá permanece como referência e palco de uma transformação que sugere uma nova lógica de pensar a mobilidade urbana, com destaque para o impacto social e econômico produzido pelo acesso gratuito ao transporte público.
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