Maricá planeja instalar uma usina termelétrica movida a gás natural como estratégia para fortalecer seu sistema de segurança energética e apoiar o funcionamento do Parque Tecnológico e de um potencial polo industrial na região de Ubatiba. A iniciativa foi anunciada pelo prefeito Washington Quaquá, que vinculou a instalação da usina à expansão das atividades do complexo tecnológico, visando garantir maior estabilidade no fornecimento de energia para os futuros empreendimentos locais.
Durante o Energy Summit 2026, a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) confirmou o projeto, vinculando-o ao planejamento de longo prazo da cidade. A previsão é que a futura usina contribua para ampliar a oferta de eletricidade, fortalecer a segurança do abastecimento e facilitar a atração de investimentos industriais e comerciais. No entanto, detalhes como capacidade, investimento, localização, tecnologia utilizada e participação da Petrobras ainda não foram divulgados oficialmente.
A busca por uma nova fonte de energia ocorre em meio a recorrentes problemas na rede elétrica da cidade, que sofre com apagões, oscilações e demora no restabelecimento do serviço. Problemas de fornecimento foram registrados em janeiro de 2024 em diversos bairros, deixando moradores e comerciantes sem energia por até três dias. A crise voltou a se intensificar no final de 2025, levando a fiscalizações e multas aplicadas à concessionária responsável, além da criação de um grupo de trabalho para cobrar soluções eficazes.
A Enel, responsável pela distribuição de energia em Maricá, anunciou investimentos na modernização da rede elétrica, incluindo ampliação de capacidade, substituição de cabos e melhorias na infraestrutura. Essas ações visam atender ao crescimento populacional e econômico da cidade, embora a construção de uma usina a gás não substitua automaticamente as obrigações existentes da concessionária.
O Parque Tecnológico, localizado em Ubatiba e previsto para abrigar startups, centros de pesquisa e indústrias de alta tecnologia, demanda uma energia confiável e estável. Pequenas oscilações podem comprometer processos laboratoriais, operação de maquinário e atividades de inovação. Assim, a termelétrica foi considerada uma possibilidade de fornecer energia contínua ou atuar em momentos de maior demanda.
A localização de Maricá, na chegada do gasoduto Rota 3, explica a busca por parceria com a Petrobras para viabilizar o fornecimento de gás natural. O gasoduto, que conecta o pré-sal à plataforma continental, passa por Maricá e segue até Itaboraí. Todavia, para viabilizar o uso do gás, estudos técnicos, autorizações regulatórias e possíveis ampliações na infraestrutura de distribuição seriam necessários, além de negociações comerciais com a estatal.
A proposta de uma usina a gás já havia sido analisada em 2022, quando uma empresa chinesa manifestou interesse em desenvolver um projeto de geração de energia com capacidade estimada de 2,6 GW. Entretanto, ainda não há confirmação de que o projeto que está sendo considerado atualmente seja uma retomada dessa iniciativa ou uma nova configuração, que poderia envolver diferentes investidores ou modelos de operação.
A forma como a energia produzida será tratada também ainda está por definir. A usina poderá gerar eletricidade para o sistema nacional, vender energia no mercado ou atender a demandas específicas de grandes consumidores. Caso a operação seja independente da concessionária local, será necessário um sistema de conexão dedicado que garanta autonomia em eventuais falhas na rede.
Projetos de energia renovável, como parques solares, estão presentes no planejamento do município, exemplificado por instalações de painéis solares no Parque Tecnológico e uma futura usina fotovoltaica na região do Caju, com capacidade de 20 MWp. Nesse cenário, a usina a gás funcionaria como complemento, garantindo fornecimento contínuo mesmo em períodos de baixa geração solar ou eólica. No entanto, por se tratar de combustível fóssil, o gás natural tem impacto ambiental que exigirá análise e licenciamento ambiental específicos.
A construção da usina se conecta ao esforço de modificar a matriz energética e econômica de Maricá, alinhado ao objetivo de reduzir a dependência de royalties do petróleo. Estimular a industrialização, oferecer energia estável para centros tecnológicos e atrair novos investimentos são metas que justificam o projeto, embora os detalhes operacionais, ambientais e financeiros ainda precisem ser esclarecidos pelas autoridades municipais.
O avanço dessa iniciativa dependerá de etapas futuras, incluindo estudos de viabilidade, elaboração de projetos, obtenção de licenças ambientais e negociações com possíveis parceiros. Assim, enquanto a proposta visa oferecer maior segurança ao sistema energético da cidade e apoiar seu desenvolvimento econômico, seu desfecho dependerá do cumprimento de todas essas etapas.
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