agosto 14, 2026
agosto 14, 2026
14/08/2026

Martha Rocha defende foco na investigação e desarticulação econômica das facções

Martha Rocha, deputada estadual pelo PDT e candidata à Câmara dos Deputados, defende uma abordagem para segurança pública que priorize investigações, prisões de criminosos e o bloqueio de recursos financeiros de facções e milícias. Ela critica o discurso que associa o combate ao crime à morte de suspeitos e afirma que o Estado deve desarticular a estrutura econômica dessas organizações.

Ao destacar sua experiência como primeira mulher a liderar a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha explica que as facções operam como empresas, dependendo de recursos para adquirir armas, pagar integrantes, subornar agentes públicos e ampliar o controle territorial. Para ela, a estratégia policial deve concentrar-se na identificação de responsáveis pelos crimes, no acompanhamento do fluxo financeiro, no bloqueio de bens e na coleta de provas que mantenham os criminosos presos.

Ela reforça a necessidade de ampliar investimentos em tecnologia, inteligência e investigação, ressaltando que o enfrentamento ao crime deve ir além de operações ostensivas nas comunidades. A parlamentar aponta que armas e drogas atravessam fronteiras, defendendo protocolos de cooperação entre as forças de segurança estaduais, federais e órgãos de controle financeiro. A rapidez na troca de informações sobre indivíduos, empresas, contas bancárias e bens é considerada crucial por Martha.

A candidata propõe ainda a implementação de metas nacionais para esclarecer homicídios, apontando a ausência de indicadores claros como obstáculo para resultados eficazes. Martha destaca que sua experiência na polícia foi marcada pelo rigor na investigação, simbolizado por uma caneta esferográfica azul, instrumento utilizado na elaboração de inquéritos e na coleta de provas.

Durante entrevista, ela criticou a rotatividade nas chefias das polícias sob o atual Governo, atribuindo à instabilidade a interrupção de projetos de longo prazo. Martha defende a criação de metas, indicadores e programas permanentes, além de maior autonomia às corregedorias policiais para investigar desvios internos. Segundo ela, policiais precisam de valorização, equipamentos adequados e estabilidade administrativa, evitando alterações institucionais motivadas por interesses políticos.

Martha dirigiu críticas ao governador Cláudio Castro, citando possíveis uso de aeronaves oficiais para fins pessoais ou de lazer, atribuindo a responsabilidade pelos custos ao Estado apenas quando as viagens não estiverem vinculadas ao cargo. Ela também questiona o pagamento integral da recomposição salarial prometida aos servidores estaduais e reformas na legislação policial, defendendo debates técnicos sobre mudanças estruturais.

A parlamentar reforça a importância da fiscalização pelo Legislativo, apontando que seu papel vai além da proposição de projetos. Ela cita sua atuação na fiscalização de denúncias envolvendo parlamentares e órgãos do Estado, incluindo suspeitas contra o ex-deputado Thiago Rangel, relacionadas à Fundação Leão XIII e à área de Educação em Campos dos Goytacazes. Martha manifesta a posição de que indivíduos envolvidos em crimes contra a administração pública não deveriam ocupar cargos eletivos e que denúncias devem ser devidamente apuradas.

Na questão das emendas parlamentares, ela critica as chamadas emendas Pix por sua baixa transparência, argumentando que a modalidade dificulta o acompanhamento pelo público e órgãos de controle. Martha também se posiciona contra o orçamento secreto, defendendo que os recursos deveriam estar vinculados a informações claras sobre origem, destino e resultados.

Outro tema abordado por ela foi a venda da Cedae, considerada por Martha como um mau negócio para o Estado, reforçando a necessidade de fiscalização rigorosa dos contratos e metas das concessionárias de transporte, como SuperVia e operadoras de barcas. Ela defende que o controle de recursos, tarifas e investimentos seja permanente.

Na área de proteção às mulheres, Martha propõe ações de reconhecimento precoce de vítimas de risco de feminicídio, por meio do cruzamento de dados de diferentes órgãos. Ela também defende maior autonomia financeira às vítimas e ampliação de instalações de acolhimento. Para ela, a dependência econômica é uma das dificuldades para sair da violência.

No âmbito da assistência social, Martha propõe a criação de um piso salarial nacional para profissionais do SUAS, incluindo assistentes sociais, psicólogos e educadores. Ela reivindica financiamento constante e responsabilidades claras dos diferentes níveis de governo.

Na educação, ela aposta na expansão do ensino em tempo integral, destacando o papel dos Centros Integrados de Educação Pública, os CIEPs, criados por Brizola e Darcy Ribeiro, para impedir o recrutamento de jovens pelo crime organizado. Para ela, essa estratégia requer uma ação integrada entre educação, assistência social e segurança pública.

Martha Rocha possui uma trajetória de mais de 40 anos na Polícia Civil, tendo sido a primeira mulher a ocupar a chefia da corporação no Estado. Após sair do comando policial, migrou para a política, elegendo-se deputada estadual. Agora, ela busca atuar em Brasília, propondo aprimoramentos na integração das forças policiais, no combate à lavagem de dinheiro, na valorização do trabalho do SUAS e na expansão do ensino integral.

Ela também defende uma atuação conjunta da bancada federal do Rio para assegurar recursos essenciais à segurança, infraestrutura e serviços públicos do Estado.


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