Dados do Ministério da Educação indicam que mais de metade dos estudantes recém-formados em cursos de licenciatura na modalidade de ensino a distância (EAD) tiveram desempenho considerado insuficiente na avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2025.
Dos formandos do último ano, 40% cursaram ensino presencial e 60%, EAD. Apesar disso, a análise revela que os concluintes de cursos presenciais apresentaram resultados significativamente superiores aos de EAD. Aproximadamente 73,9% deles foram classificados como proficientes, atingindo o nível adequado de competência na área.
Em coletiva na sede do MEC, em Brasília, o ministro Leonardo Barchini anunciou mudanças regulatórias, incluindo a suspensão progressiva dos cursos de licenciatura totalmente a distância, com encerramento previsto para maio de 2027. O ministro afirmou que estudantes matriculados atualmente poderão concluir seus cursos, mas esses graduações deverão migrar para os formatos presencial ou semipresencial.
O Enade avalia a qualidade dos cursos por meio de uma escala de 1 a 5, sendo 5 a maior nota. Foram analisados 4.547 cursos de formação de professores, incluindo 1.127 em EAD e 3.420 presenciais. Outros 401 cursos não receberam conceito devido ao número insuficiente de participantes.
Os resultados mostram que 56,8% dos cursos atingiram níveis considerados satisfatórios (conceitos 3, 4 ou 5), enquanto aproximadamente 32% obtiveram as notas mais altas, nas faixas 4 e 5. Entretanto, 1.730 cursos (equivalente a 35% do total avaliado) receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios, pois menos de 60% dos estudantes nessas turmas atingiram proficiência.
A modalidade EAD concentrou os piores índices de desempenho. Entre os cursos com conceitos 1 e 2, 682 eram EAD e 1.048 presenciais. Isso sugere que cerca de seis em cada dez cursos de formação de professores na EAD apresentaram resultados insatisfatórios no exame.
A secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC afirmou que os novos indicadores proporcionam uma avaliação mais precisa da qualidade do ensino superior no país, estabelecendo parâmetros claros de desempenho para os concluintes. Cursos com notas baixas passarão a ser sujeitos a monitoramento durante um período de dois anos, conforme previsto na Portaria MEC nº 381/2025, com a suspensão da renovação automática do reconhecimento.
Além disso, os trabalhos de avaliação presencial serão obrigatórios após o período de transição. As mudanças visam aprimorar a formação de professores e elevar as índices de desempenho dos alunos.
O levantamento também revelou que instituições públicas lideram os resultados. Nas universidades federais, 75,9% dos estudantes foram considerados proficientes, mesma proporção observada nas instituições estaduais. Nas entidades comunitárias, esse índice foi de 70,8%, enquanto nas privadas, ficou em 46,5%.
Com as novas diretrizes, os cursos de licenciatura na modalidade EAD poderão ser oferecidos somente em formatos presencial ou semipresencial. Os cursos existentes terão prazo até maio de 2027 para se ajustarem às novas regras, com avaliações presenciais obrigatórias após o período de transição.
O presidente do Inep destacou que o Enade para licenciaturas é uma iniciativa inédita no Brasil, com o propósito de orientar políticas públicas voltadas à melhoria na formação de professores e na educação básica.
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