Na última terça-feira, foi inaugurado no Rio de Janeiro um memorial dedicado às vítimas da Covid-19, com o objetivo de homenagear e preservar a memória mais de 700 mil pessoas que faleceram no Brasil em decorrência da doença. A iniciativa foi anunciada pelo Ministério da Saúde e aconteceu nas instalações do Centro Cultural da pasta, que foi reaberto após quase quatro anos de obras.
Situado no Centro do Rio, o Memorial da Pandemia foi criado com um investimento de aproximadamente R$ 15 milhões. O espaço conta com recursos interativos que revelam histórias de vítimas da Covid-19 e evidenciam o impacto da crise sanitária no país. Entre seus principais elementos, destacam-se painéis digitais exibindo nomes, idades e cidades de pessoas que perderam a vida para a doença, além de uma instalação com quatro silhuetas humanas de mãos dadas, simbolizando a união social frente à pandemia.
Durante o evento de inauguração, o ministro da Saúde destacou que o Brasil enfrentou não só uma crise sanitária, mas também dificuldades na gestão pública da situação. Ele afirmou que ações como a valorização da ciência e a ampliação da vacinação poderiam ter contribuído para a redução do número de óbitos.
Além do memorial físico, foi lançado o Memorial Digital da Pandemia, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas e a Organização Pan-Americana da Saúde. Essa plataforma virtual tem o objetivo de compilar relatos e histórias que serão exibidas em uma exposição itinerante, prevista para passar por seis capitais entre maio deste ano e janeiro de 2027.
Como parte da programação, também está prevista, para junho, a abertura da mostra “Vida Reinventada”, com curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade. A exposição terá foco nas respostas sociais à pandemia sob diferentes perspectivas, como ciência, arte e justiça.
No mesmo evento, o Ministério da Saúde anunciou a publicação do Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, o documento fornece orientações para avaliação, diagnóstico e tratamento de sequelas que podem persistir após a infecção, incluindo manifestações que aparecem semanas após a doença, mesmo em casos leves. Segundo o guia, são abordadas também possíveis complicações em sistemas como o respiratório, cardiovascular e neurológico, além de aspectos relacionados à saúde mental.
O novo guia substituirá normativas anteriores e será utilizado como referência única no SUS. O material inclui protocolos clínicos e fluxos de atendimento voltados especialmente para grupos vulneráveis, buscando otimizar o cuidado aos pacientes que enfrentam sequelas do coronavírus.
As iniciativas receberam apoio de entidades civis, entre elas a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico). A assistente social Paola Falceta, uma das fundadoras da entidade, destacou que a elaboração do memorial e do guia foi resultado de um esforço de familiares de vítimas, que há anos reivindicavam medidas de reconhecimento e memória. Ela afirmou que, apesar da dor ainda presente, esses esforços representam uma tentativa de evitar repetições de erros na condução de futuras crises sanitárias.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



