junho 4, 2026
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04/06/2026

Ministério da Saúde destaca importância do tratamento precoce para pé torto congênito Infantil

Cerca de 200 mil bebês nascem com Pé Torto Congênito (PTC) no Brasil, conforme levantamento do Ministério da Saúde. A condição, que afeta um ou ambos os pés, provoca alterações na posição dos membros, voltados para dentro, e compromete ossos, músculos, ligamentos e tendões. Quando não tratada adequadamente, pode impactar a mobilidade e a qualidade de vida do indivíduo.

No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO), especificamente no Centro de Atendimento Especializado (CAE) da Criança e do Adolescente, aproximadamente 30% das consultas infantis estão relacionadas a casos de PTC. Em 2025, a unidade realizou mais de duas mil consultas, das quais cerca de 600 envolveram crianças com a deformidade. Diante do volume de atendimentos, o serviço aumentou sua capacidade de consultas ambulatoriais dedicadas ao PTC, facilitando o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O método padrão para correção da deformidade, reconhecido mundialmente, é o Método de Ponseti. Essa técnica consiste em manipulações sequenciais dos pés do bebê, troca semanal de gessos, procedimento cirúrgico mínimo e uso de órteses para manter a correção alcançada. Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores as chances de sucesso na correção e no desenvolvimento motor da criança.

Um exemplo é o caso de Maya, quase dois anos, que teve diagnóstico de PTC na gestação e iniciou o tratamento nos seus primeiros meses de vida. Sob acompanhamento do INTO, ela apresenta progresso equivalente ao de crianças da mesma idade, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado. O ortopedista Daniel Furst destaca a necessidade de conscientizar profissionais de maternidades e unidades básicas de saúde, além do comprometimento dos responsáveis na fase de uso das órteses, para o sucesso do tratamento.

Segundo o ortopedista Régis Rodrigues, o início oportuno da terapia impede o desenvolvimento de deformidades adicionais. Normalmente, a correção é obtida após cerca de seis trocas de gesso semanais, com uma cirurgia eventual e uso de órteses até os quatro anos, além de acompanhamento contínuo para garantir um crescimento normal.

O método de escolha, o Ponseti, é utilizado inicialmente de forma conservadora, com outras abordagens complementares, se necessárias. A família de Maya foi instruída desde o diagnóstico, realizado durante o ultrassom morfológico na gestação, a pesquisar e se preparar para o tratamento. Hoje, Maya caminha, brinca e realiza suas atividades normalmente, e a mãe destaca que o sucesso do procedimento comprova a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado.

Para obter atendimento no INTO, é obrigatório o encaminhamento via Sistema de Regulação (SISREG), devendo o caso ser encaminhado ao serviço assim que houver suspeita ou confirmação do diagnóstico.


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