Moradores do bairro Joá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, alegam que o Clube Costa Brava vem realizando eventos de forma irregular e reivindicam a suspensão do alvará de funcionamento do estabelecimento. Na última terça-feira (31), a instalação de estruturas de grande porte e palcos reacendeu dúvidas sobre a regularidade das atividades, especialmente devido a programações para o feriado da Páscoa.
Segundo representantes das associações Sociedade de Amigos do Joá (Sajo) e Alto Joá, o clube vem sendo utilizado para aluguel de espaços para casamentos, formaturas e eventos corporativos há anos, atividades que não estão autorizadas na documentação oficial da instalação. O clube afirmou que a estrutura montada na ocasião será usada unicamente para um casamento, não comentando as demais acusações.
O advogado das associações e coordenador do Grupo Ação Ecológica (GAE) informou que, no primeiro semestre do ano anterior, foi protocolado um pedido para a cassação do alvará, o qual ainda aguarda resposta das autoridades. Ele também revelou que o clube chegou a realizar eventos com venda de ingressos ao público externo, funcionando como casa de festas, prática que teria sido suspensa após reuniões com o Ministério Público.
Apesar disso, o espaço continua a ser alugado para terceiros, promovendo festas de grande porte que impactam a vizinhança. Uma área externa do clube, que originalmente foi cedida pela prefeitura para uso público e destinada a quadras de futebol, também está em disputa. Segundo o representante, esse espaço vem sendo alugado de forma irregular por hora, sete dias por semana, e já sofreu interdição por parte da fiscalização municipal, a qual, conforme ele, foi desrespeitada.
Relatos de moradores indicam ainda incômodo com o barulho constante e o aumento no fluxo de veículos na região. Houve casos de som elevado às 5h da manhã, o que levou moradores, inclusive idosos, a buscarem hospedagem em hotéis para descansar. As associações destacam que, embora o clube funcione como espaço social, o uso para festas de grande porte não é autorizado.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acompanha o caso por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente da Capital e reforça a necessidade de medidas mais efetivas por parte da prefeitura. A Secretaria Municipal de Ordem Pública confirmou que o alvará do clube está ativo; a licença chegou a ser suspensa, mas foi reativada após o cumprimento de exigências do Ministério Público. Uma inspeção recente atestou que as estruturas instaladas destinam-se a uma cerimônia de casamento, atividade que não requer autorização prévia. A secretaria, contudo, não se manifestou sobre as denúncias de outros eventos ou o uso comercial de quadras do espaço.
A situação também provoca debates nas redes sociais. Alguns moradores reforçam as reclamações referente ao barulho e à fiscalização, enquanto outros defendem o clube, alegando não terem sido incomodados ou atribuindo os relatos a boatos. Há ainda apontamentos sobre questões ambientais e obras irregulares na região, envolvendo derrubada de árvores e deslizamentos, o que também é tema de preocupação na comunidade.
O entendimento entre as partes continua em discussão, com o Ministério Público e a administração municipal avaliando medidas cabíveis para regularizar ou fiscalizar as atividades do Clube Costa Brava, diante das preocupações e denúncias relacionadas.
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