junho 27, 2026
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27/06/2026

Movimento noturno das plantas: nictinastia e sua importância para a sobrevivência

Ao cair da tarde, diversas espécies de plantas exibem um movimento de fechamento ou inclinação das folhas, um comportamento que frequentemente desperta curiosidade. Este fenômeno, conhecido como nictinastia, consiste na alteração na posição das folhas ao longo do ciclo de 24 horas e é resultado de uma resposta natural evoluída há milhões de anos.

Durante o dia, essas plantas mantêm as folhas abertas, mas ao anoitecer, elas se dobram ou se voltam para cima. Para observadores de primeira viagem, essa mudança parece indicar que a planta “está indo dormir”, embora esse procedimento seja simplesmente um mecanismo de adaptação ao ciclo claro-escuro. Apesar de não dormirem no sentido biológico dos animais, muitas plantas ajustam suas atividades e posições foliares para minimizar perdas e otimizar condições na ausência de luz.

A movimentação é provocada por células na base do pecíolo, estrutura que conecta a folha ao caule, que alteram seu conteúdo de água. Essas variações de pressão resultam na mudança de posição das folhas, controladas pelo próprio organismo vegetal. O fenônimo também é compartilhado por espécies como o feijão comum, que adaptam a posição de seus folíolos ao longo do ciclo diurno, refletindo um ritmo biológico interno.

Apesar de essas plantas não possuírem sistema nervoso ou cérebro, elas possuem um relógio circadiano que regula seus comportamentos em resposta ao ciclo dia-noite. Assim, muitas ações, como a abertura das folhas ou a redução de atividades, já começam antes mesmo do escurecer completo, demonstrando uma resposta coordenada ao ambiente e ao seu próprio relógio interno.

O fechamento das folhas oferece diversas vantagens, incluindo a conservação de energia, proteção de folhas delicadas, facilitação do escoamento de orvalho e a diminuição da umidade superficial. Esses movimentos estruturais também preparam as plantas para uma melhor captação de luz nas primeiras horas da manhã, contribuindo para sua sobrevivência e desenvolvimento.

Diversas espécies apresentam esse comportamento, incluindo marantas, calatéias, sensitiva (Mimosa pudica), oxalis e leguminosas ornamentais, entre elas o feijão e o amendoim. Cada uma executa os movimentos de formas distintas, variando de simples levantamento a fechamento completo das folhas. Não obstante, é importante destacar que nem todas as plantas manifestam nictinastia. Algumas permanecem estáticas durante todo o ciclo ou podem ter seus movimentos alterados por condições de cultivo, iluminação artificial ou estresse hídrico.

Estudos científicos que investigam esses mecanismos têm demonstrado que, embora inertes na aparência, as plantas respondem continuamente ao ambiente através de alterações em suas células. Essas descobertas alimentam avanços em áreas como robótica e materiais inteligentes, inspirados pela capacidade vegetal de mover-se utilizando apenas variações de pressão interna.

Por fim, o comportamento de fechamento ou abertura das folhas é uma estratégia evoluída de sobrevivência e adaptação ao ambiente. Observá-lo revela a complexidade dos processos internos dessas organismos, apesar de sua imobilidade aparente, mostrando que a resistência e a adaptação vegetal dependem de sistemas naturais altamente sofisticados.


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