maio 2, 2026
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02/05/2026

Mudanças na Polícia Civil do Rio visam melhorar eficiência e fortalecer combate ao crime organizado

Na última semana, o governador Ricardo Couto realizou uma significativa reestruturação na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, promovendo mudanças em 57 cargos que envolvem delegacias, setores estratégicos e departamentos de área. Essa remodelação ocorreu pouco após a posse do novo secretário, Delmir Gouvea, indicado pelo próprio governador. Especialistas na área de segurança pública comentaram sobre as implicações dessas alterações e o cenário atual da segurança estadual.

Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, o advogado e especialista em segurança pública, Dr. Marcos Espínola, destacou que mudanças de grande porte, como essas, tendem a gerar expectativas de melhorias na eficiência e no posicionamento estratégico da corporação. No entanto, ele frisou que o sucesso dessas ações dependerá da capacidade de integrar as operações de inteligência, utilizar dados de forma sistemática e fortalecer a cooperação entre Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário. O especialista também apontou que o aumento de ocorrências relacionadas a roubos, facções e milícias na região exige ações contínuas e bem articuladas para evitar descontinuidades em investigações em andamento.

Quanto ao período de transição no comando, Espínola reforçou que, mesmo com Mandato interino, o desembargador Ricardo Couto pode contribuir para avanços na segurança pública por meio de uma maior articulação institucional. Segundo ele, uma maior coordenação entre as forças policiais e o sistema de Justiça pode acelerar decisões contra organizações criminosas, além de fortalecer procedimentos internos de fiscalização e controle.

Sobre a possibilidade de mudanças na segurança decorrentes das próximas eleições estaduais, o especialista salientou que a estabilidade na política de segurança pública exige políticas de Estado, que devem ultrapassar interesses partidários e focar no médio e longo prazo. Ele destacou que o acionamento de estratégias contínuas, com planejamento e políticas integradas, é fundamental para reduzir a violência, de acordo com estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para o próximo governador eleito, Espínola indicou algumas prioridades essenciais: estabelecer um plano de segurança com metas de redução de homicídios e domínio territorial; recuperar áreas controladas por milícias e grupos criminosos; investir em inteligência, tecnologia e na valorização policial, incluindo melhorias nas condições de trabalho; além de formalizar parcerias com forças federais, especialmente para combater o tráfico de armas e drogas nas fronteiras. Ele também reforçou a necessidade de ações sociais, como educação, urbanização e geração de empregos, para garantir uma segurança sustentável além da repressão.

Ao questionado sobre a influência do Poder Público no fortalecimento do crime organizado, Espínola afirmou que há evidências de infiltrações e corrupção, que ligam agentes públicos às organizações criminosas. Para combater essa conexão, ele destacou a importância de corregedorias independentes e atuantes, controle patrimonial rigoroso, punições rápidas e efetivas, transparência e uma fiscalização externa eficiente, além do incentivo à denúncia por parte dos agentes públicos. Segundo ele, o Ministério Público tem papel central na luta contra as milícias e outras facções criminosas, sendo fundamental na implementação dessas ações.

Atualmente, o cenário da segurança no estado exige contínuo esforço para consolidar políticas públicas articuladas e duradouras, capazes de resistir às mudanças de governo e às influências de interesses políticos, visando a uma redução efetiva da criminalidade.


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