junho 24, 2026
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24/06/2026

Mulher é condenada a 66 anos por envenenar ovo de Páscoa que matou duas crianças no Maranhão

Jordélia Pereira Barbosa foi condenada nesta terça-feira a 66 anos de prisão em regime fechado pelo envenenamento que causou a morte de duas crianças em Imperatriz, Maranhão. O caso, que ganhou destaque nacional, envolveu o consumo de um ovo de Páscoa contaminado enviado à residência familiar em abril do ano passado.

As vítimas, Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, sofreram falecimento após ingerirem o chocolate. A mãe delas, Mírian Lira, também consumiu o produto e precisou de cuidados médicos intensivos, permanecendo em estado grave na UTI, mas conseguiu sobreviver.

Segundo investigação, o ovo de Páscoa continha uma substância tóxica conhecida como chumbinho, amplamente utilizada ilegalmente contra ratos. O Ministério Público do Maranhão revelou que Jordélia enviou o presente por meio de um mototaxista, após uma viagem de Santa Inês para Imperatriz. Essa ação foi considerada motivada por ciúmes e desejo de vingança, já que a acusada tinha uma relação no passado com o companheiro de Mírian na época.

Na sentença, a Justiça determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva da ré e negou recurso em liberdade. Também foi fixada uma indenização por danos morais de 100 salários mínimos para Mírian Lira e de 400 salários mínimos aos pais das crianças.

As investigações apontaram que o crime foi cuidadosamente planejado. Jordélia foi até Imperatriz, onde se hospedou sob identidade falsa, contratou um motoboy para realizar a entrega do ovo envenenado e encaminhou a sua mensagem de Feliz Páscoa à destinatária. Durante a flagrância em Santa Inês, foi encontrada com ela perucas, embalagens com vestígios do chocolate e um bilhete de viagem de ônibus, o que reforçou a linha de investigação.

No julgamento, os jurados reconheceram que Jordélia tentou cometer homicídio qualificado contra Mírian Lira, tendo como agravantes o motivo torpe, o uso de veneno e a dissimulação. A vítima sobreviveu graças ao atendimento médico oportuno. Quanto às duas crianças, a condenação por duplo homicídio qualificado foi confirmada, considerando as mesmas qualificadoras, além da faixa etária de menos de 14 anos das vítimas.

Durante o processo, não foram encontrados indícios de incapacidade mental na ré que justifiquem a exclusão de sua responsabilidade criminal. Em depoimento, Jordélia admitiu a compra e o envio do ovo, mas negou ter colocado veneno nele, deixando a responsabilidade para outros. As provas reunidas, porém, não sustentaram essa alegação e explicaram sua condenação.


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