maio 26, 2026
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26/05/2026

Museu de Arte Moderna do Rio inaugura espaço dedicado a trabalhos de jovens artistas, com destaque para Froiid

No dia 20 de junho, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro abrirá o Espaço Petrobras, uma área dedicada à exibição de projetos inéditos de jovens artistas, localizada no foyer do Bloco de Exposições. A inauguração contará com a mostra individual “O caneco é nosso”, do artista Froiid, natural de Belo Horizonte. A exposição apresenta uma instalação composta por 999 réplicas em gesso da Taça Jules Rimet, dispostas em uma estrutura que lembra uma arquibancada.

A obra busca criar uma imagem que remete ao estádio, à torcida e a uma espécie de multidão ritualística. A presença da instalação ocorre durante a Copa do Mundo, ampliando o diálogo com temas relacionados ao futebol, memória popular e cultura brasileira. A mostra, curada por Raquel Barreto, é apoiada pelo patrocínio oficial da Petrobras e tem como objetivo integrar a programação do museu com exposições que dialoguem com sua arquitetura e ambientes internos.

A instalação de Froiid se fundamenta na trajetória da Taça Jules Rimet, criada na década de 1930 para o Mundial de Futebol. No Brasil, o símbolo ganhou destaque após a conquista do tricampeonato em 1970, embora sua presença física seja marcada por um episódio emblemático: o roubo do objeto da sede da CBF, em 1983, do qual nunca mais foi recuperada. A obra do artista propõe refletir sobre o papel do futebol na cultura de massa, na propaganda política e na memória coletiva, evidenciando o impacto simbólico do troféu no imaginário brasileiro ao longo dos anos.

Para Froiid, a taça permanece como um objeto de culto mesmo após seu desaparecimento. Sua escolha pelo uso do gesso, material associado à produção de imagens religiosas em série, reforça a relação entre memória, repetição e devoção. Sua pesquisa concentra-se na interconexão entre jogo, arte e culturas periféricas, abordando temas como futebol de várzea, sinuca, jogo do bicho e videogames pirata, desde 2014. Para o artista, o futebol representa não apenas um esporte, mas uma expressão cultural de invenção e resistência brasileira, moldada por modos próprios de jogar, torcer e representar-se.

A frase do título, “O caneco é nosso”, popularizada na Copa de 1970, serve de referência para a exposição. A expressão, integrada à propaganda do regime militar na época, simboliza vitória coletiva, embora o objeto físico tenha desaparecido. A instalação de Froiid desloca o troféu do contexto esportivo para a esfera simbólica do museu, promovendo uma reflexão crítica sobre o papel das imagens e mitologias na formação cultural do Brasil.

Froiid é mestre em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Minas Gerais e graduado em Artes Plásticas pela Escola Guignard. Além de atuar como artista multidisciplinar, também trabalha como curador. Seus reconhecimentos incluem residência no Bolsa Pampulha, o Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais (2020), o prêmio Sesc Arte na 22ª Bienal Sesc Videobrasil (2023) e participação na 14ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2025. Seus trabalhos já foram exibidos em espaços como o Palácio das Artes, no Museu Nacional de Brasília, no Festival Internacional de Fotografia de Ipatinga e em unidades do Sesc.

A exposição ficará aberta ao público de 20 de junho a 20 de setembro de 2026, de quarta a domingo, das 10h às 18h, com visitas exclusivas para pessoas com deficiência intelectual aos domingos, das 10h às 11h. A entrada é gratuita.


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