Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram uma nova espécie de mamífero na Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. A espécie, denominada monodelphis semilineata, é um pequeno marsupial inédito na ciência, e sua identificação foi publicada na revista internacional Journal of Mammalogy.
A pesquisa, conduzida por mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação, revelou que o animal possui algumas dezenas de gramas, olhos pequenos e focinho pontudo, alimentando-se principalmente de insetos. A espécie foi encontrada em fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, na Baixada Litorânea e no Litoral Norte fluminense.
A denominação “semilineata” refere-se à característica de uma listra preta central nas costas do marsupial, que é mais curta e desaparece antes do focinho. Essa particularidade, além de diferenças na dentição e no formato do crânio, foi fundamental para distinguir a nova espécie de parente próxima, a Monodelphis iheringi, que também pode estar presente na região.
Estudos genéticos indicam que a espécie surgiu há aproximadamente 1,78 milhão de anos, durante o Pleistoceno. A descoberta fornece insights sobre a evolução das espécies que habitaram as planícies costeiras do estado há milhares de anos.
De acordo com o pesquisador responsável, a origem do novo marsupial está relacionada à similaridade de tempos com outros mamíferos ameaçados, como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira do Sudeste, reforçando a ideia de que essas regiões tiveram um papel importante na evolução destes animais.
Por sua rareza e vulnerabilidade, a nova espécie ainda não foi registrada em áreas de conservação protegida, como parques ou reservas. Os ambientes onde ela vive estão próximos a grandes obras industriais e rodovias de intenso tráfego, o que amplia o risco de extinção.
A descoberta evidencia que, mesmo em regiões bem estudadas e densamente povoadas, há lacunas na compreensão da biodiversidade. Para os especialistas, esse achado reforça a necessidade de preservar os fragmentos remanescentes do ecossistema, antes que espécies raras desapareçam sem terem sido oficialmente reconhecidas.
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