junho 2, 2026
junho 2, 2026
02/06/2026

Nove em cada dez moradores do Rio rejeitam operações policiais com confrontos armados

Uma pesquisa recente revela que a maioria dos moradores de comunidades no Rio de Janeiro desaprova as operações policiais realizadas com confrontos armados. O estudo aponta que 90% das pessoas ouvidas se manifestaram contra o modelo atual de intervenção policial nas favelas da capital fluminense.

A investigação ouviu 4 mil adultos em quatro importantes regiões: Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha. As entrevistas, feitas presencialmente entre 13 e 31 de janeiro, tiveram 1.020 participantes em cada comunidade. O levantamento foi conduzido por seis organizações de sociedade civil, sob coordenação de Eliana Sousa Silva.

De acordo com os resultados, 73% dos entrevistados manifestaram-se contrários às operações policiais do modo como são realizadas atualmente. Apenas 25% expressaram apoio às ações, enquanto 2% não responderam. Quando questionados especificamente acerca da permanência dessas operações, 92% mostraram-se contrários. Entre eles, 68% defendem que o método deve ser alterado e 24% são contra a realização de operações em favelas.

A pesquisa também trouxe percepções fortes sobre abusos por parte das forças de segurança. Para 91% dos entrevistados, há relatos de excessos e ilegalidades durante as ações policiais. Mesmo entre os que apoiam as intervenções, 85% reconhecem que abusos acontecem. Além disso, 90% consideram inaceitáveis os excessos cometidos. Entre os moradores que se posicionam contra as operações, a rejeição à violência chega a 95%.

Outro ponto destacado é que o respaldo à realização de operações policiais não implica concordância com práticas violentas ou violações de direitos. Dentro desse grupo, 74% também condenam abusos policiais. O contexto da pesquisa é reforçado pelo cenário de frequentes confrontos armados: somente na região da Maré, entre 2023 e 2025, foram registradas 92 operações com troca de tiros, envolvendo mortos e feridos.

O levantamento foi elaborado em parceria com organizações como Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste. O estudo contou ainda com o apoio de instituições acadêmicas e de grupos ligados à segurança pública e aos direitos humanos, incluindo universidades federais e estaduais do Rio de Janeiro.


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