março 23, 2026
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23/03/2026

Número de exames para câncer de intestino no SUS triplica na última década e impulsiona a detecção precoce

Nos últimos dez anos, o número de exames realizados pelo Sistema Único de Saúde para detectar câncer de intestino quadruplicou, indicando uma melhora nos esforços de prevenção e diagnóstico precoce da doença no Brasil. Os dados, apresentados durante a campanha Março Azul, refletem mudanças tanto no comportamento da população quanto na atuação do sistema de saúde público.

Nos anos de 2016 a 2025, a quantidade de testes de sangue oculto nas fezes passou de aproximadamente 1,1 milhão para mais de 3,3 milhões, registrando um aumento de cerca de 190%. Nesse mesmo período, as colonoscopias realizadas subiram de cerca de 260 mil para aproximadamente 640 mil, crescendo cerca de 145%. No entanto, esses avanços não ocorreram de maneira uniforme em todo o país. São Paulo lidera com mais de um milhão de exames de sangue oculto nas fezes em 2025, seguido por Minas Gerais e Santa Catarina. Por outro lado, estados como Amapá, Acre e Roraima continuam com índices significativamente menores, evidenciando desigualdades no acesso ao diagnóstico.

A expansão desses exames tem sido atribuída ao fortalecimento de ações de conscientização popular. Segundo Eduardo Guimarães Hourneaux, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, campanhas como Março Azul têm motivado maior procura por parte da população e maior realização de procedimentos preventivos. Nesse sentido, a mobilização inclui atividades educativas, iluminação de edifícios públicos e mutirões de atendimento em diferentes regiões do país.

Casos de personalidades públicas, como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite, também contribuíram para ampliar a discussão sobre a doença, trazendo maior visibilidade ao tema. Entre 2023 e 2025, período em que houve maior divulgação e circulação de histórias relacionadas, houve aumento de 18% nos exames de sangue oculto e de 23% nas colonoscopias no SUS.

Especialistas destacam que tornarem públicas suas experiências pessoais favorece a conscientização coletiva, estimulando mais pessoas a investigarem sintomas precocemente. A campanha Março Azul é promovida por entidades como a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Federação Brasileira de Gastroenterologia, com apoio de diversas instituições médicas.

Apesar do progresso, o cenário ainda apresenta desafios. O Instituto Nacional de Câncer estima que as mortes relacionadas ao câncer de intestino devam aumentar até 2030. Entre as dificuldades estão o envelhecimento populacional, aumento de casos em grupos mais jovens, diagnóstico tardio e cobertura insuficiente de rastreamento em algumas regiões.

O câncer de intestino, quando detectado precocemente, apresenta altas taxas de cura. Por isso, reforça-se a importância de exames regulares, especialmente para indivíduos acima de 50 anos ou com antecedentes familiares da doença. O incremento no número de testes realizados pelo SUS mostra avanço, mas a ampliação do acesso aos procedimentos e a manutenção de ações de conscientização permanecem essenciais para reduzir a mortalidade pela doença.


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