agosto 16, 2026
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16/08/2026

Número de tartarugas marinhas mortas em Niterói aumenta e evidencia ameaças ambientais

Nos primeiros sete meses deste ano, o número de tartarugas marinhas encontradas mortas nas praias de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, evidencia uma situação que demanda atenção ambiental. Segundo dados do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), foram registradas 100 tartarugas na orla do município, das quais 91 estavam sem vida e apenas nove permaneciam vivas.

O órgão responsável pelo estudo, ligado ao Ibama, destaca que a alta incidência de tartarugas mortas reflete as pressões ambientais enfrentadas na zona costeira. Muitas dessas tartarugas apresentam sinais de ação humana, como redes de pesca que as capturam, ingestão de resíduos sólidos ou impactos com embarcações. Essa situação reforça a necessidade de estratégias para promover a conservação marinha, incluindo o manejo adequado de resíduos, práticas pesqueiras mais sustentáveis e campanhas de conscientização social.

Um dos episódios mais recentes ocorreu em 26 de julho, na Praia da Eva, em Jurujuba. Uma tartaruga juvenil da espécie Chelonia mydas, popularmente conhecida como tartaruga-verde, foi encontrada morta com um plástico na boca. Apesar do relato, especialistas indicam que a presença de resíduos na boca do animal não é suficiente para determinar a causa da morte sem investigação adequada. Na avaliação de veterinários, a ingestão de resíduos é prejudicial, sobretudo para espécies que vivem próximas às áreas costeiras, mas a relação direta com o óbito requer análise mais aprofundada.

As cinco espécies de tartarugas que frequentam o litoral brasileiro também aparecem nas praias do município. Entre elas, a tartaruga-verde e a tartaruga-cabeçuda são as mais registradas na região, especialmente na área da Baía de Guanabara, onde concentram a maior quantidade de ocorrências. Segundo dados do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA), essas praias apresentam maior incidência de tartarugas mortos, especialmente nas regiões de Charitas, Piratininga e Boa Viagem. Especialistas explicam que a configuração ambiental e o intenso tráfego marítimo contribuem para essa concentração, além de fatores como atividade pesqueira e acúmulo de resíduos.

A maior parte dos registros refere-se a juvenis, o que ressalta a importância do litoral para o desenvolvimento dessas espécies, sendo aproximadamente 95% deles jovens, e 62% do sexo feminino. Esses dados reforçam a relevância das áreas costeiras na fase de crescimento dessas tartarugas, além de indicar a predominância de uma espécie em relação às demais.

Comparado ao mesmo período do ano passado, o número de tartarugas encontradas mortas caiu de 157 para 100, uma redução de aproximadamente 36,3%. Especialistas alertam que oscilações anuais são comuns e podem resultar de diversos fatores ambientais e operacionais, como mudanças nas correntes marítimas, condições climáticas e padrões de monitoramento. Assim, interpretações mais precisas exigem análises de séries históricas mais longas.

No ano passado, especificamente em novembro, foram registrados 15 encalhes na Praia de Camboinhas, incluindo casos de tartarugas presas em redes abandonadas na Praia de Itacoatiara, na Região Oceânica. A captura incidental pela pesca aparece como uma das principais ameaças às tartarugas marinhas, podendo ocasionar mortes imediatas ou sequelas fatais após períodos de esforço e desequilíbrios fisiológicos.

Quanto à conduta ao encontrar um animal debilitado ou morto, os pesquisadores recomendam contato imediato à central de resgate. Em caso de tartaruga viva, é importante não tocá-la, a menos que estritamente necessário. Caso seja imprescindível aproximar-se, utiliza-se um pano ou toalha molhada para manipular suavemente o animal, mantendo-o em local protegido até a chegada dos especialistas, que também solicitam que se envie informações e fotos do local do avistamento.


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