abril 24, 2026
abril 24, 2026
24/04/2026

Obras às margens do Rio Sergipe ameaçam manguezal protegido em Aracaju

Aracaju, capital de Sergipe, encontra-se situada às margens do Rio Sergipe e próxima ao litoral, formando uma cidade com um ambiente que combina elementos naturais e urbanização. Sua expansão ocorreu principalmente por meio da drenagem de áreas alagadas e do aterramento de manguezais, embora esses ecossistemas ainda persistam em partes da cidade. Nesse contexto, uma grande obra viária atualmente em andamento está sendo executada à custa do aterramento de trechos remanescentes de manguezal nas margens do rio, uma área protegida pelo Código Florestal, o que suscita questionamentos acerca da conformidade dessa intervenção com a legislação ambiental vigente.

A infraestrutura urbana de Aracaju apresenta avanços típicos de cidades nordestinas com bom padrão de qualidade de vida, como sistemas de transporte integrados, terminais bem estruturados e ônibus com faixas exclusivas, incluindo alguns veículos elétricos. Há também uma rede de ciclovias que reforça a mobilidade alternativa na cidade. Essas melhorias refletem, em parte, os resultados de políticas públicas federais voltadas à inclusão social, embora tenham sofrido períodos de interrupção.

Fundada em 1855 com projeto do engenheiro Sebastião José Basílio Pirro, Aracaju substituiu São Cristóvão, antiga sede administrativa da província de Sergipe do Rei. A cidade foi assentada em um traçado urbanístico regular, com largas vias perpendiculares ao rio Sergipe, que posteriormente recebeu acréscimos de blocos adicionais de traçado similar, embora sem seguir planejamento integral. A sua origem está relacionada à necessidade de estabelecer um porto marítimo devido à localização distante do mar de São Cristóvão, que foi a primeira capital do estado, fundada em 1590.

De maneira semelhante, Belo Horizonte foi fundada em 1897, projetada pelo urbanista Aarão Reis no antigo território de Ouro Preto. A disposição inicial da cidade também adotou um padrão ortogonal, com uma malha regular que foi ampliada com elementos em orientação diagonal, formando uma trama parecida com a de La Plata, na Argentina. Ambas as cidades compartilham características arquitetônicas ecléticas, comuns do início do século XX, sobretudo nos edifícios públicos.

A característica arquitetônica de Belo Horizonte também inclui exemplos do estilo Art Déco, enquanto em Aracaju, às vezes, os prédios históricos do centro são cobertos por letreiros que escondem suas fachadas originais, semelhante ao que ocorreu na antiga área comercial do Rio de Janeiro. Os paláce do governo de ambas as cidades foram transformados em museus, tendo suas sedes substituídas por construções modernas.

No que diz respeito à memória histórica, ambas as cidades homenageiam personagens e eventos do passado, às vezes de forma controversa. Na periferia de Aracaju, há bairros nomeados em referência a figuras políticas, enquanto a cidade mantém uma expressiva presença de plantas como o véu de noiva ou jasmim do Caribe, que é bastante comum em jardins residenciais e calçadas. Essa espécie, de flores brancas perenes, foi introduzida no país relativamente recentemente.

A ocupação residencial de Aracaju mostra transformação, com antigas residências de alto padrão localizadas às margens do rio sendo substituídas por empreendimentos de maior altura, especialmente na região de Atalaia, que se consolidou como área de classe média-alta. Essa expansão, embora economicamente promissora, tem evidenciado problemas de urbanismo, como a falta de acessibilidade nas calçadas, que muitas vezes apresentam degraus e diferentes elevações, dificultando o deslocamento de idosos e cadeirantes.

A cidade mantém um perfil acolhedor e tranquilo, com uma população predominantemente morena e conversadora. Nas ruas, é comum ouvir sons ligados à cultura local, como o som das pancadas de um toc-toc de caranguejo, além da presença constante de plantas como o jasmim do Caribe, símbolo da hospitalidade regional. Nesse cenário, Aracaju busca equilibrar suas raízes naturais e históricas com a dinâmica do crescimento urbano e os desafios de planejamento.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad