março 17, 2026
março 17, 2026
17/03/2026

Operação desarticula quadrilha do Comando Vermelho na Lapa, com prisões e buscas

Nesta terça-feira, forças de segurança do Rio de Janeiro realizaram uma operação que resultou na prisão de 14 suspeitos e na desarticulação de uma parte de uma quadrilha vinculada ao Comando Vermelho, responsável por atividades ilícitas na Lapa. As investigações revelaram que o grupo cobrava uma taxa diária de comerciantes ambulantes, invadia imóveis abandonados para o tráfico de drogas e praticava sessões de tortura, inclusive contra dependentes químicos.

De acordo com informações da Polícia Civil, registros feitos pelos próprios criminosos evidenciaram episódios de violência extrema. Um delegado da Polinter explicou que cenas de tortura, com pessoas amarradas e agredidas, foram identificadas, enquanto os traficantes decidiam sobre a vida ou a morte dessas vítimas.

A atuação da quadrilha na região envolvia a cobrança de até R$ 130 por dia de cerca de cinquenta ambulantes situados ao redor da Escadaria Selarón, ponto turístico bastante conhecido. A estimativa é de que apenas essa extorsão tenha gerado aproximadamente R$ 200 mil para o grupo, cujo líder é Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha. Os valores arrecadados eram repassados a outros integrantes do grupo.

Na fachada de um muro em frente à escadaria, desde maio de 2021, há uma homenagem a Pablo Carlos Rodrigues Quintanilha, conhecido como PB, filho de Abelha, morto em confronto com a polícia em 2019. O mural passou por reformulações após o muro receber uma nova camada de tinta há cerca de dois anos.

Além da exploração financeira, a quadrilha gerenciava pontos de venda de drogas em casarões abandonados entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva. Os entorpecentes eram embalados em comunidades próximas e transportados por táxis, mototáxis e indivíduos conhecidos como “mulas”, muitas vezes mulheres. Desde o ano passado, os locais utilizados para o comércio ilícito vinham sendo relocados continuamente para dificultar a ação policial.

A investigação, iniciada em outubro de 2024 na 5ª DP (Mem de Sá), já havia levado à denúncia de 30 pessoas à Justiça, incluindo 25 suspeitos indiciados em novembro do ano anterior. Entre os procurados estão indivíduos sem antecedentes criminais, chamados de “gerentes de carga”, responsáveis pela logística do tráfico.

Entre os principais envolvidos estavam Abelha e Anderson Venâncio Nobre de Souza, conhecido como Piu, apontado como gerente operacional da organização. Na residência de Piu, a polícia encontrou imóveis de luxo em construção, com instalações de academia, cozinha integrada, além de um terraço com piscina e churrasqueira, evidenciando os lucros obtidos com as atividades ilegais.


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